EUA prepara designação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Data: 9 de março de 2026
O governo americano está prestes a fazer um anúncio que vai mexer com a política externa brasileira. Segundo o UOL, os Estados Unidos devem designar em poucos dias o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A documentação já foi finalizada no Departamento de Estado e passou pela análise de diferentes órgãos da administração americana, que deram o aval.
O processo segue o mesmo caminho usado recentemente para classificar outros grupos criminosos latino-americanos, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela. Após a conclusão da análise interna pelo órgão chefiado pelo secretário Marco Rubio, o documento será enviado ao Congresso americano e publicado no Registro Federal. Esse trâmite deve levar cerca de duas semanas.
O que isso significa na prática
A designação oficial como Organização Terrorista Estrangeira (FTO) traz consequências concretas. Significa congelamento de ativos nos Estados Unidos, proibição de acesso ao sistema financeiro americano e veto a qualquer tipo de apoio material, como fornecimento de armas, por cidadãos ou empresas dos EUA. Em outras palavras, essas facções ficariam isoladas do sistema financeiro internacional.
Nos bastidores, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria atuado para estimular a classificação das facções brasileiras como grupos terroristas. De acordo com o UOL, ele conversou sobre o tema com os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, pedindo apoio à iniciativa. A movimentação mostra como a questão transcende a diplomacia oficial e envolve atores políticos brasileiros com influência junto a governos conservadores.
Por que o governo brasileiro é contra
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva se posiciona contra a designação. Autoridades brasileiras argumentam que PCC e Comando Vermelho não possuem motivação política ou ideológica, característica geralmente associada ao conceito de terrorismo. Além disso, há preocupação com possíveis impactos sobre a soberania brasileira, especialmente diante do risco de maior atuação de forças americanas em operações contra o crime organizado na região.
A tensão revela uma fissura na forma como Brasil e Estados Unidos enxergam o crime organizado. Para Washington, a classificação como terrorismo é uma ferramenta de pressão e isolamento financeiro. Para Brasília, é uma questão de soberania e de como se define terrorismo em um contexto onde as facções operam principalmente como organizações criminosas voltadas ao tráfico de drogas.
A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o governo é “terminantemente contra” a proposta porque, pela legislação internacional, o rótulo de terrorismo abre espaço para intervenções de outros países. O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, alertou que o Brasil ficaria vulnerável a sanções de organismos internacionais, inclusive da ONU.
A avaliação é que a designação poderia justificar operações militares ou ações unilaterais dos Estados Unidos fora de seu território, o que representa uma ameaça direta à autonomia brasileira no tratamento de questões de segurança interna.





Trump é uma marionete com cordinhas embaraçadas, que resulta em movimentos esdrúxulos e fora do script. Dá trabalho a quem o comanda, talvez o aposentem, mas é o que têm para hoje e, de modo geral, ainda se presta aos interesses imperialistas daqueles.
Lula conhece o espetáculo, bonecos similares abundam por aqui, mas ele não se presta a ser plateia.
Minha curiosidade, entretanto, é saber se Trump já combinou as deixas com os “russos”.