EUA avisa Brasil sobre classificação de CV e PCC como terroristas e abre porta para intervenção militar
Data: 17 de abril de 2026
O governo dos Estados Unidos mandou recado direto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A mensagem era clara: Washington está decidido a classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A informação vem da coluna de Paulo Cappelli e marca um ponto de inflexão na relação entre Brasil e EUA sobre como lidar com o crime organizado.
A Casa Branca argumenta que essas facções movimentam quantias gigantescas através de lavagem de dinheiro. Com o rótulo de terrorismo, o Departamento do Tesouro ganha ferramentas mais afiadas para apertar o cerco financeiro. Congelamento de ativos em solo americano, bloqueio do sistema bancário global, proibição de qualquer suporte material. É o que os americanos chamam de asfixia financeira.
O detalhe que revela a tensão diplomática é que os EUA avisaram o Brasil com antecedência. Isso é considerado uma “deferência” no jargão internacional. O México não recebeu o mesmo tratamento quando seis cartéis foram classificados como terroristas.
O governo do Brasil, no entanto, resiste à medida. O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça sempre defenderam que crime organizado é questão de polícia, não de segurança nacional. Quando Washington muda essa narrativa, transforma um problema doméstico em ameaça internacional. E aí começa o jogo perigoso.
Classificar CV e PCC como terroristas abre a porta para algo que o Brasil teme: intervenção externa disfarçada de cooperação. Se essas facções são terroristas, por que não enviar agentes americanos para operações? Por que não impor sanções econômicas indiretas? Por que não condicionar acordos comerciais a ações específicas do governo brasileiro? A soberania nacional vira moeda de troca.
Há também o impacto econômico que ninguém quer discutir em voz alta. Empresas brasileiras que operam nos EUA podem ser investigadas por conexões indiretas. O setor de turismo sofre quando o país é associado a ameaças terroristas. Bancos internacionais ficam mais cautelosos com transações brasileiras. É um efeito cascata que vai além do congelamento de contas de traficantes.
O que está em jogo não é apenas a eficácia no combate ao crime. É a capacidade do Brasil de tomar suas próprias decisões sobre segurança pública sem ter que responder a Washington. É a diferença entre cooperação entre iguais e subordinação disfarçada de parceria.




