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Policial militar investigada por matar mulher com um tiro é promovida duas semanas depois

A policial militar Yasmin Cursino Ferreira

Data: 17 de abril de 2026

A Polícia Militar de São Paulo efetivou a soldada Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, apenas duas semanas após ela disparar contra Thawanna Salmázio, de 26 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes. A publicação saiu no Diário Oficial desta sexta-feira (17 de abril). Enquanto isso, Yasmin permanece afastada das ruas e é investigada tanto pela Corregedoria da PM quanto pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil.

A Secretaria da Segurança Pública tentou amenizar a situação ao afirmar que não houve promoção, apenas equiparação salarial de R$ 480 conforme a Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026, que unificou a graduação de Soldados de 1ª e 2ª Classe. Tecnicamente correto. Politicamente questionável. A lei existe, mas o timing da efetivação enquanto a investigação segue em andamento levanta questões sobre como a corporação gerencia suas prioridades quando uma de suas agentes está sob suspeita de homicídio.

O que aconteceu naquela madrugada de 3 de abril em Cidade Tiradentes revela uma sequência de decisões que custou a vida de uma mulher. Thawanna caminhava pela rua com o marido quando o braço dele tocou o retrovisor de uma viatura em patrulhamento. O policial que conduzia o veículo deu ré e questionou o casal sobre andar na rua de madrugada, iniciando uma discussão que escalou rapidamente.

Nas imagens da câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, é possível ouvir Thawanna pedindo à policial Yasmin para não apontar o dedo para ela. Segundos depois, o disparo. Quando questionado pela colega sobre o tiro, Yasmin respondeu que Thawanna teria dado um tapa na sua cara. O próprio Weden questionou a ação: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê?”

Quando o caso aconteceu, Yasmin estava na etapa final do estágio, com apenas três meses de patrulhamento nas ruas, e não usava câmera corporal.

O que aconteceu depois do tiro é tão grave quanto o disparo em si. Thawanna esperou mais de 30 minutos pelo resgate apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local. A câmera corporal registra o soldado Weden reiterando o pedido de socorro ao Copom enquanto observava a vítima piorar. “Já está ficando branco o lábio dela. Cadê o resgate?” A central de operações da PM acionou os Bombeiros apenas cinco minutos após a solicitação inicial. Uma primeira ambulância foi designada às 3h06, substituída por outra às 3h12. A segunda saiu da base às 3h17 e chegou ao local às 3h30, trinta minutos após o pedido inicial.

Socorristas ouvidos pela TV Globo foram diretos: a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro. O ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro. O atestado de óbito apontou hemorragia interna aguda como causa da morte. Thawanna chegou ao hospital viva, mas não resistiu aos ferimentos.

A Ouvidoria da Polícia pediu que a Corregedoria da PM investigue a omissão de socorro no caso. Enquanto isso, Yasmin segue afastada das ruas, investigada, e agora também efetivada com equiparação salarial. A lei que permitiu a efetivação existe e é válida. A questão é por que a corporação escolheu aplicá-la justamente agora, quando uma de suas agentes está sob investigação por homicídio e quando a morte de Thawanna ainda levanta perguntas sobre protocolos, treinamento e responsabilidade.

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