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Polícia Federal devolve credenciais de agente americano em movimento de desescalada

O diretor da PF Andrei Roddrigues

Data: 29 de abril de 2026

A Polícia Federal devolveu hoje as credenciais de trabalho de um agente dos Estados Unidos que atua na sede da instituição em Brasília. O gesto marca um recuo na escalada diplomática entre Brasil e EUA, que começou quando Washington pediu a saída do delegado Marcelo Ivo Carvalho do país.

Tudo começou com a prisão de Alexandre Ramagem em Miami, no início de abril. O ex-deputado foi detido por infração de trânsito e visto vencido, segundo a PF, mas o governo Trump interpretou a ação como perseguição política. Donald Trump foi direto: “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”, conforme reportado pela Globonews.

A resposta brasileira foi imediata. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, acionou o princípio de reciprocidade e cortou o acesso de agentes americanos. Um perdeu temporariamente as credenciais na sede de Brasília. Outro, Michael Myers, responsável pela troca de inteligência entre a PF e o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas), teve o visto cancelado pelo Itamaraty e retornou aos EUA.

Washington alegou que o delegado Carvalho induziu agentes migratórios americanos ao erro ao convencer-los a ter Ramagem como alvo, ferindo interesses políticos de bolsonaristas aliados aos trumpistas, conforme apurou a colunista do UOL Mariana Sanches. A justificativa oficial foi quebra de confiança.

Ramagem foi solto em 15 de abril, dois dias após a prisão. Ele alega que foi liberado sem fiança após as autoridades americanas tomarem conhecimento de um pedido de asilo político em análise. O ex-deputado está foragido desde setembro do ano passado, quando fugiu do Brasil após ser condenado a 16 anos de prisão pela Primeira Turma do STF no julgamento do núcleo da trama golpista.

A devolução das credenciais hoje sugere que ambos os governos buscam arrefecer a tensão, ainda que os interesses políticos subjacentes permaneçam intactos.

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