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Senado rejeita indicação de Messias; o que está por trás da derrota a Lula

Jorge Messias

Data: 29 de abril de 2026

A rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (29) não foi apenas uma derrota do governo. Foi um terremoto político que virou de cabeça para baixo mais de um século de precedentes. Com 42 votos contra e 34 a favor, o Senado fez algo que não acontecia desde 1894: derrubou um nome indicado para a mais alta corte do país.

A votação, que durou pouco mais de sete minutos, expôs fraturas profundas na base governista. Enquanto senadores da oposição comemoravam, parlamentares aliados de Lula ainda tentavam entender o que havia acontecido. O relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), havia apostado em 45 a 48 votos favoráveis. As traições não estavam na contabilidade e a realidade foi bem diferente.

Mas aqui está o ponto que merecia mais atenção: segundo relatos de bastidores, Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, já havia sinalizado desde a véspera que Messias seria derrotado. Alguns senadores chegaram a dizer que gostariam de votar a favor, mas não estavam sendo liberados pelo presidente da Casa. Isso sugere que o controle político da votação passou diretamente pelas mãos de Alcolumbre, transformando a sessão em um exercício de poder bem calculado.

A articulação para derrotar Messias parece ter sido orquestrada. Fontes ligadas ao presidente Lula apontam uma combinação de fatores: traições de última hora, votos que eram considerados certos e não apareceram, e principalmente a disputa político-eleitoral em curso no Senado. O grupo de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, aparece como peça-chave nessa engrenagem.

Dentro do próprio Supremo, ministros como Alexandre de Moraes não queriam Messias no tribunal. Alcolumbre, apoiado por esses ministros, tinha razões pessoais para bloquear a indicação. Há ainda o cálculo individual de senadores: a expectativa de futuras vagas no Supremo pesou nas decisões de voto. E não se pode ignorar a expectativa sobre delações do caso do Banco Master, com possível envolvimento de nomes do Centrão, funcionando como mais um recado de descontentamento com o governo.

Messias foi indicado há cinco meses, mas a mensagem oficial só chegou ao Senado em abril. Ele ocuparia a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente em outubro de 2025. Mesmo após essa derrota, aliados de Lula afirmam que o presidente não deve ceder a pressões na escolha de um novo nome.

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