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O que o promotor Lincoln Gakiya, maior especialista em PCC, pensa sobre classificar facções como terroristas

Promotor Lincoln Gakya

Data: 28 de maio de 2026

Lincoln Gakiya conhece bem o assunto. O promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo investiga o PCC há 20 anos e vive sob escolta policial 24 horas por dia desde 2005, quando a facção começou a ameaçá-lo de morte. Sua opinião sobre a classificação americana merece atenção porque vem de quem está na ponta da investigação.

Gakiya participou de encontros com integrantes do governo Trump e deixou claro: os americanos não deram espaço para o Brasil apresentar sua interpretação sobre terrorismo. Apenas solicitaram informações sobre o funcionamento das facções. Sua conclusão é firme: PCC e Comando Vermelho não são organizações terroristas, apesar dos crimes brutais que praticam.

A diferença está na motivação. Terrorismo, segundo a lei brasileira, envolve atos de terror com objetivo político ou ideológico. O PCC nunca teve cunho ideológico ou político. Não tem ódio racial, religioso ou de etnia como objetivo. O foco é puramente comercial: lucro e dominação territorial. Por isso, Gakiya os classifica como organizações criminosas transnacionais com características de máfia, não como grupos terroristas.

O promotor critica como o discurso político se apropriou do tema, criando falsas expectativas. Parte da população acredita que a classificação de terrorismo traria endurecimento automático de penas ou uma intervenção militar americana milagrosa que resolveria o problema. Não é assim. O que o Brasil precisa é de cooperação e atuação conjunta, não de uma classificação que abra portas para intervenções militares estrangeiras.

Aqui está o ponto mais delicado da análise de Gakiya: a classificação pode criar barreiras burocráticas e econômicas que hoje não existem. A troca de dados entre o Ministério Público brasileiro, o FBI e a DEA ocorre de forma fluida via cooperação policial. Se o PCC for rotulado como grupo terrorista, essas informações subiriam para o nível “confidencial”, passando à atribuição da CIA. Resultado: investigadores brasileiros perderiam acesso direto aos dados que precisam.

Além disso, a classificação abre caminho para sanções econômicas contra o Brasil e dificuldades de acesso a bancos multilaterais como o Banco Mundial e o BID. Mais grave ainda: autoriza o governo americano a executar ações militares fora de seu território para combater esses grupos. Uma porta que, uma vez aberta, é difícil fechar.

Gakiya resume sua posição com a clareza de quem enfrenta o problema diariamente: a classificação do PCC ou do Comando Vermelho como organizações terroristas não vai melhorar a eficiência das investigações nem o combate ao crime organizado. Ao contrário, pode criar obstáculos para quem está na ponta do trabalho.

O promotor não nega os perigos reais das facções. Mas insiste que a solução não passa por um rótulo americano que, na prática, enfraqueceria a cooperação que já funciona e abriria espaço para intervenções que comprometem a soberania brasileira.

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