Infiltrados do PCC dentro do Ministério Público revelam falha de segurança que ninguém esperava

O Ministério Público de São Paulo descobriu algo que parecia ficção: agentes públicos trabalhando para o PCC dentro de suas próprias estruturas. Nesta terça-feira (9), a operação Infiltrados prendeu um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do MP suspeitos de serem infiltrados da organização criminosa. Segundo a investigação, eles estariam envolvidos em um plano para assassinar um promotor do Gaeco e em um esquema de extorsão contra investigados.

A história começa meses antes, quando duas operações anteriores começaram a desvendar a trama. A Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025, apurou um plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. Já a Operação Off White, em outubro, desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil, incluindo Sérgio Luiz de Freitas, um dos principais chefes em liberdade do PCC.

O que torna tudo mais preocupante é como a infiltração funcionava. Uma semana antes da Operação Pronta Resposta ser deflagrada, o principal acusado responsável pelo plano de assassinato se reuniu com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes de Campinas. Vídeos apreendidos documentam esse encontro, justamente quando a operação que frustraria o atentado estava prestes a acontecer. O Gaeco agora investiga que informações privilegiadas foram repassadas ao criminoso por esse investigador.

Mas há mais. Um ex-estagiário do MP, que hoje é advogado, se infiltrou propositalmente em uma Promotoria Criminal de Campinas para fins criminosos. Usando acesso a bancos de dados e sistemas de pesquisa, ele identificava criminosos de alto poder econômico e os extorquia em troca de suposta proteção nas investigações. Um desses casos envolveu uma cobrança de R$ 500 mil para que informações não fossem enviadas ao Gaeco sobre um empresário suspeito de participar do plano de assassinato. O ex-estagiário se apresentava como sendo de Balneário Camboriú, mas era um advogado trabalhando dentro da própria Promotoria.

A operação desta terça envolveu dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso, com participação das Corregedorias da Polícia Civil e Penal, além da Comissão de Prerrogativas da OAB. O objetivo é colher mais provas sobre a extensão da extorsão e confirmar se algum investigado chegou a pagar pelas informações oferecidas.