Os Estados Unidos e a Venezuela confirmaram nesta sexta-feira (12) a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, apontado como principal chefe da organização criminosa Tren de Aragua. O presidente americano Donald Trump divulgou um vídeo do ataque realizado pelo Comando Sul no sudeste do estado de Bolívar, em território venezuelano.
Trump afirmou que a ação foi “coordenada de perto com os nossos amigos na Venezuela”, descrevendo-a como um “ataque cinético rápido e letal”. O governo venezuelano confirmou a participação na operação, informando que Guerrero foi “neutralizado” durante confrontos com integrantes de grupos criminosos, com apoio tecnológico especializado e intercâmbio de inteligência entre os dois países.
Niño Guerrero era procurado há anos pelos EUA. O Departamento de Estado oferecia recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua prisão ou condenação. Promotores federais de Nova York o acusavam de associação criminosa, extorsão, tráfico de drogas e tráfico de armas. Em dezembro, 70 membros da gangue, incluindo Guerrero, foram formalmente acusados.
Trump havia classificado o Tren de Aragua como organização terrorista em 2025, descrevendo-o como “uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta”. Ao longo do ano passado, o governo americano ordenou diversos ataques a embarcações que supostamente pertenceriam ao grupo no Caribe e no Pacífico, alegando que transportavam drogas para os EUA.
O Tren de Aragua surgiu em 2014 na prisão de Tocorón, no estado de Aragua, e expandiu operações por toda a América Latina. O grupo é acusado de envolvimento com extorsão, assassinatos por encomenda, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, prostituição e garimpo ilegal. Após ocupar militarmente a prisão em setembro de 2023, o governo de Nicolás Maduro afirmou ter “desmantelado totalmente” a organização, mas Niño Guerrero já era considerado foragido naquela época.
Trump e seu governo têm consistentemente culpado o Tren de Aragua pela violência e pelo tráfico de drogas em cidades americanas. O presidente repetiu durante meses a alegação de que a organização operava sob controle direto de Nicolás Maduro, afirmação desmentida por avaliação da inteligência americana cujo sigilo foi retirado.


