Senador alvo da PF reclama de vazamentos após foto em piscina virar pública

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) teve o celular apreendido pela Polícia Federal em dezembro de 2025. Seis meses depois, fotos que estavam dentro desse aparelho começaram a vazar para a imprensa. Entre elas, uma imagem de abril de 2023 em que o parlamentar aparece numa piscina ao lado de outros políticos, no rancho do advogado Willer Tomaz. A revista piauí publicou o registro, e o senador não gostou nada de ver sua vida pessoal exposta em público.

Segundo o blog de Lauro Jardim, no O Globo, Weverton enviou um ofício neste final de semana ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pedindo providências contra os vazamentos de materiais extraídos de seu celular funcional. O documento argumenta que a veiculação de mensagens e fotografias pessoais expõe “indevidamente” parlamentares que não são investigados e sugere uma instrumentalização seletiva de material sigiloso. Em termos simples: o senador sustenta que alguém dentro da máquina investigativa está escolhendo o que vazar e quando vazar, ferindo a intimidade, o sigilo dos autos e a presunção de inocência. O ofício aponta que isso pode configurar crime de violação de sigilo funcional.

A foto em questão registra um encontro de abril de 2023 e traz nomes de peso da política nacional: Arthur Lira, Elmar Nascimento, Alexandre Ramagem, Paulo Azi e Juscelino Filho. Todos aparecem na imagem, nenhum necessariamente investigado. O dono da propriedade, Willer Tomaz, divulgou nota repudiando a publicação da fotografia, afirmando que o registro foi feito durante evento particular em sua propriedade e vazou do celular do senador “sem relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados”. O advogado disse ainda que não é investigado por fraudes previdenciárias no inquérito que apura desvios do INSS.

A reação de Weverton Rocha é compreensível do ponto de vista jurídico. Material apreendido em operação da PF é sigiloso e seu uso deve seguir regras estritas. Quando vaza, especialmente de forma seletiva, isso compromete a integridade da investigação e expõe pessoas que talvez não tenham qualquer relação com o esquema apurado. O pedido formal para que a Advocacia do Senado acione André Mendonça, relator do caso no STF, além da PGR e da Corregedoria da PF, busca justamente apurar a origem dos vazamentos e responsabilizar quem os cometeu.

Weverton Rocha é alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para investigar fraudes no INSS. Na fase mais recente, os investigadores miram um suposto esquema de lavagem de dinheiro. A PF suspeita do uso de estrutura de empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis para ocultar a origem e movimentar recursos ligados às fraudes previdenciárias. Ou seja, o parlamentar que hoje reclama de vazamento é o mesmo que responde a um inquérito que apura desvio de dinheiro público.