CFM abre sindicância para apurar suposta falta de assistência médica a Bolsonaro na cadeia
Data: 7 de janeiro de 2026
O Conselho Federal de Medicina, aquele mesmo que durante a pandemia defendeu com unhas e dentes o direito dos médicos negacionistas prescreverem cloroquina e ivermectina para tratar Covid, agora está todo preocupadinho com a ética médica e a assistência adequada a um paciente todo especial (para eles, claro):o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O CFM abriu uma sindicância para investigar se Bolsonaro está recebendo assistência médica adequada na prisão da Polícia Federal. Segundo eles, há denúncias sobre a qualidade do atendimento ao ex-presidente, que sofreu uma queda na carceragem e bateu a cabeça.
Engraçado que o conselho não mostrou o mesmo empenho e preocupação em saber como a população carcerária brasileira estava sendo tratada na pandemia, né?
A queda e o circo montado
Bolsonaro caiu da cama na madrugada de terça-feira na carceragem da PF. Não acionou protocolo de urgência, não avisou ninguém do acidente. Pela manhã, quando os policiais notaram o machucado, ele disse que não era nada e que estava bem. Comportamento normal de qualquer pessoa que sofre um acidente leve, não é mesmo?
Mas aí entra em cena a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que transformou uma queda simples em drama nacional. Ela correu para as redes sociais contar que o marido teve uma crise de soluços, caiu e bateu a cabeça. Os advogados imediatamente pediram autorização ao ministro Alexandre de Moraes para levar Bolsonaro ao hospital.
Moraes disse que não havia necessidade de remoção imediata e pediu um relatório médico detalhado. A própria PF havia informado que constatou apenas ferimentos leves, sem necessidade de encaminhamento hospitalar. Mesmo assim, hoje, o ministro autorizou os exames.
A hipocrisia em sua forma mais pura
Agora vem a parte que realmente indigna qualquer pessoa com dois neurônios funcionando. O CFM, na sua nota pomposa, fala em “autonomia do médico assistente” e “ato profissional que goza de presunção de verdade e respaldo ético e legal”. Que lindo, não é? Que defesa apaixonada da medicina baseada em evidências!
Só tem um probleminha nessa história toda. Esse mesmo CFM, durante a pandemia que matou mais de 700 mil brasileiros, defendeu fervorosamente o direito dos médicos prescreverem tratamentos completamente ineficazes contra a Covid-19. Hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, todo aquele coquetel de medicamentos que não serviam para nada, exceto para dar uma falsa sensação de que algo estava sendo feito.
Enquanto o mundo inteiro seguia protocolos científicos sérios, enquanto a comunidade médica internacional alertava sobre a falta de evidências desses tratamentos, o CFM brasileiro bancava a prescrição de remédios inúteis. E agora vem falar de ética médica e assistência adequada?
Essa sindicância não é sobre medicina, gente. É sobre política pura e simples. É sobre um conselho médico que se dobrou aos interesses políticos durante a maior crise sanitária do século defendendo o mesmo político que promoveu aqueles tratamentos ineficazes.
O CFM fala que Bolsonaro tem “histórico clínico de alta complexidade” com sucessivas cirurgias abdominais e soluços intratáveis. Pode até ser verdade, mas cadê essa mesma preocupação que eles tiveram com os milhões de brasileiros que foram enganados com tratamentos sem eficácia durante a pandemia? Ou com a população carcerária idosa que está presa?
A verdade é que estamos vendo uma corporação médica que perdeu completamente a credibilidade tentando recuperar algum prestígio defendendo justamente quem mais contribuiu para desacreditar a ciência médica no Brasil. É de uma ironia tão grande que chega a ser cômica, se não fosse trágica.





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