O Agente Secreto vence sem Lei Rouanet e expõe quem realmente mama nas tetas do estado
Data: 12 de janeiro de 2026
Olha, tem hora que a realidade é tão irônica, mas tão irônica, que ela parece um roteiro de filme. E falando em filme, a gente viu a vitória histórica de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro, né? Wagner Moura levando prêmio, Kleber Mendonça Filho sendo aclamado. É o Brasil na vitrine do mundo. Mas sabe qual é a parte mais saborosa dessa história toda? É que esse filme, que tá aí calando a boca de muito gringo e enchendo a gente de orgulho, não viu um único tostão da Lei Rouanet.
Enquanto a extrema-direita e seus papagaios passam anos gritando que artista de esquerda mama na teta do governo via Lei Rouanet, o filme que representa o Brasil no Oscar se financiou de outro jeito. O orçamento de R$ 27 milhões veio de R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual, que é uma política de Estado para o cinema, não um cheque em branco. O resto veio da iniciativa privada brasileira e de parcerias com França, Alemanha e Holanda. Isso não é favor, pessoal, isso é negócio. Os gringos colocaram R$ 14 milhões no filme. Isso é indústria.
A Lei Rouanet não financia longa-metragem. Ela só financia média e curta-metragem. “Dentro do rol de segmentos a serem atendidos pela Lei Rouanet, constam as produções de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual”, explica a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
E é aqui que a gente separa a verdade da mentira. Porque essa turma que ataca a cultura vive num mundo de fantasia onde cinema não dá dinheiro e não gera emprego. Pois bem, um estudo da Oxford Economics, usando dados do nosso próprio IBGE, mostra que o setor audiovisual brasileiro empregou 120 mil pessoas diretamente no ano passado. Sabe a tão celebrada indústria de automóveis? Empregou 76 mil. O audiovisual gera quase 60% mais empregos. E não para aí. Cada emprego direto no setor cria outros quatro indiretos. A gente tá falando de mais de 600 mil postos de trabalho no total. E com salário médio de R$ 6.800, mais que o dobro da média nacional.
Os números do audiovisual são maiores que os da indústria automobilística, farmacêutica e têxtil. O setor movimentou mais de R$ 70 bilhões em 2024, quase 1% do PIB. E o mais inacreditável: a gente exporta mais cultura do que importa. O setor teve um superávit de R$ 2,6 bilhões em 2023. Ou seja, além de tudo, ainda bota dólar pra dentro do país.
Agora senta que lá vem a melhor parte. Se o cinema que nos representa lá fora não tá usando a Lei Rouanet, pra onde tá indo essa dinheirama toda que os extremistas de direita tanto falam? Pois o senador Randolfe Rodrigues resolveu expor os verdadeiros reis da mamata. Ele pegou e leu a lista dos dez artistas que mais receberam grana da Lei Rouanet. E adivinhem? Nenhum deles tava na rua lutando contra a anistia. Pelo contrário.
Em primeiro lugar, o embaixador do agronegócio, Gusttavo Lima, com R$ 52 milhões. Depois vem Bruno e Marrone com R$ 45 milhões. Leonardo com R$ 42 milhões. Chitãozinho e Xororó, R$ 38 milhões. César Menotti e Fabiano, R$ 35 milhões. E a lista segue com Zezé Di Camargo e Luciano, Eduardo Costa, Amado Batista, Henrique e Juliano e Fernando e Sorocaba. Todos sertanejos, todos alinhados com a direita que adora posar de defensora do mercado enquanto enfia a mão no dinheiro público.
Percebe a jogada? A narrativa é toda construída pra atacar artistas progressistas e desmoralizar a cultura como um todo, enquanto os amigos do rei se refestelam com o dinheiro que deveria fomentar a diversidade cultural do Brasil. Eles criam um espantalho, a “mamata da esquerda”, pra desviar a atenção do banquete que eles mesmos estão dando com o nosso dinheiro.
A vitória de “O Agente Secreto” é muito mais do que um prêmio. É a prova viva de que a cultura brasileira é uma potência econômica e um instrumento de soberania. E, de quebra, serve pra esfregar na cara da sociedade quem são os verdadeiros parasitas que usam o discurso contra o Estado pra mamar nas tetas dele. É a hipocrisia em estado puro, desmascarada não por um discurso, mas pelos próprios fatos.




