Gonet veta Smart TV para Bolsonaro na cadeia, mas libera livros para reduzir pena
Data: 14 de janeiro de 2026
Olha pessoal o mundo dá voltas e a ironia histórica gosta de bater na nossa porta quando a gente menos espera porque agora o ex-presidente Jair Bolsonaro condenado a 27 anos e 3 meses por aquela tentativa de golpe que todos acompanhamos, vai ter que se entender com as letras para tentar sair um pouco mais cedo da cela. A Procuradoria-Geral da República deu um parecer nesta quarta-feira favorável ao pedido da defesa para que ele participe daquele programa de remição de pena pela leitura onde cada obra lida e devidamente resenhada abate quatro dias da sentença.
O que chega a ser pedagógico se a gente parar para pensar é que a lista de livros disponíveis no Distrito Federal inclui títulos que parecem escolhidos a dedo pelo destino como o clássico Crime e Castigo do Dostoiévski que fala justamente sobre a agonia de quem acha que está acima da lei e acaba devorado pela própria culpa.
O engraçado ou talvez trágico nessa história toda é que a PGR também aceitou que ele receba assistência espiritual de pastores como o Robson Rodovalho e o Thiago Manzoni desde que eles apareçam lá como guias religiosos e não como cabos eleitorais disfarçados de homens de Deus. Mas onde a porca torce o rabo mesmo e a gente vê que a justiça não está para brincadeira é na negativa sobre a tal da Smart TV que a família e os advogados tanto queriam instalar no quarto dele.
A procuradora Fernanda Vivas da TV Globo apurou que o órgão foi taxativo ao dizer que televisão com internet nem pensar pois o risco de o homem cair na tentação de postar em rede social ou se comunicar com o mundo exterior é gigantesco e inviabilizaria qualquer controle da disciplina interna.
A gente sabe como funciona o mecanismo e não precisa ser nenhum gênio da política para entender que o direito à informação que a defesa alega é importante mas conectar um condenado por trama golpista à rede mundial de computadores é como dar a chave do galinheiro para o lobo e esperar que ele vire vegetariano.
A PGR até sugeriu que ele pode ter uma TV a cabo comum dessas que não permitem interação mas deixou claro que qualquer custo extra tem que sair do bolso do próprio sentenciado porque o Estado não tem obrigação de bancar conforto para quem tentou implodir as instituições. É uma lição de realidade para quem passou anos atacando a cultura e os livros agora ter que se debruçar sobre as páginas de livros para sair antes da cadeia.
Essa situação toda que agora está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes para uma decisão final nos mostra que a Lei de Execuções Penais vale para o ladrão de galinha e também para quem ocupava o Palácio do Planalto.




