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Ministros do STF desconfiam que Toffoli gravou colegas em sessão secreta

O ministro Dias Toffoli fica isolado no STF

Data: 13 de fevereiro de 2026

Tem um momento na vida de qualquer pessoa quando você percebe que cruzou uma linha que não tem volta. Dias Toffoli parece estar vivendo esse momento agora. Não é só que ele saiu da relatoria do Banco Master. É que os colegas dele acreditam que ele gravou todo mundo clandestinamente durante a sessão secreta que decidiu tirar ele do caso.

Deixa eu explicar o que aconteceu, porque isso é tão absurdo que parece ficção.

A gravação que vazou

Na quinta-feira (12), os ministros do STF se reuniram em sessão fechada para decidir sobre a saída de Toffoli da relatoria do Caso Master. Era uma conversa privada, entre colegas, sem câmeras, sem público. Conversas que deveriam ficar ali, naquele espaço protegido.

Mas aí o site Poder360 publica uma reportagem com os diálogos reproduzidos de forma literal e precisa. Não é resumo. Não é paráfrase. São as palavras exatas que cada ministro falou. Os magistrados receberam a reportagem e mandaram para Toffoli mostrando que havia uma gravação. A conclusão deles é óbvia: foi ele quem gravou.

Toffoli nega. Disse à colunista Mônica Bergamo da Folha que “não gravei e não relatei nada para ninguém”. Depois levantou a suspeita de que algum funcionário do setor de informática pode ter feito a gravação. Mas vamos ser honestos: essa explicação não convence ninguém. Se foi um funcionário, por que os trechos selecionados para publicação são justamente aqueles que favorecem Toffoli?

O que a gravação revela

Aqui está o interessante. Os diálogos mostram que a maioria dos ministros apoiava Toffoli. Gilmar Mendes disse que o problema era que Toffoli tinha contrariado a Polícia Federal e ela quis revidar. Luiz Fux foi direto: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou”.

André Mendonça afirmou que não existe relação íntima entre Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, baseado em seis minutos de conversa em seis anos. Cristiano Zanin criticou o relatório da PF dizendo que era nulo. Flávio Dino chamou as 200 páginas do relatório de “lixo jurídico”.

Cármen Lúcia foi a que trouxe a questão institucional. Disse que todo taxista que ela pega fala mal do Supremo, que a população está contra o tribunal, e que apesar de confiar em Toffoli, era necessário pensar na institucionalidade. Nunes Marques criticou Fachin por querer colocar a suspeição em votação, dizendo que isso seria um absurdo que acabaria com o Poder Judiciário.

Moraes aparece como duro crítico da Polícia Federal, que foi quem entregou o relatório que começou toda essa confusão.

O cálculo político

Apesar de toda essa defesa de Toffoli, os ministros decidiram que ele deveria sair. Por quê? Porque a imagem do STF estava em frangalhos. Porque a população estava contra. Porque era preciso fazer algo para recuperar a confiança. Toffoli virou o sacrifício necessário para o tribunal tentar se salvar.

Mas aqui está o problema: se Toffoli gravou os colegas, ele não só violou a privacidade deles. Ele também selecionou quais trechos seriam publicados. Os ministros afirmaram que os diálogos publicados trazem apenas trechos favoráveis a Toffoli e não mostram a complexidade do que foi discutido. Ou seja, ele gravou para se defender, escolheu o que publicar e deixou de fora o que o prejudicava.

O isolamento que vem

A suspeita de que Toffoli gravou os colegas tem um efeito devastador. Segundo um dos integrantes do tribunal, isso isola Toffoli na Corte. Houve uma quebra de confiança que não tem volta. Quando você grava seus colegas em uma sessão secreta, você está dizendo que não confia neles. Que está se protegendo. Que está pronto para usar o que eles dizem contra eles.

Ninguém quer trabalhar com alguém assim. Ninguém quer falar aberto perto de alguém que pode estar gravando. A confiança é a base de qualquer instituição, e Toffoli acabou de dinamitar a dele.

O que fica

Toffoli saiu da relatoria, mas não saiu ileso. Os colegas o apoiaram publicamente, mas agora desconfiam que ele gravou todo mundo. A reportagem do Poder360 mostrou que havia apoio a ele, sim, mas também mostrou que o tribunal inteiro estava pensando em autopreservação. Que Cármen Lúcia estava disposta a sacrificá-lo pela imagem da instituição. Que Fachin queria colocar a suspeição em votação.

Toffoli conseguiu sair da relatoria com a maioria dos colegas dizendo que ele não é suspeito. Mas perdeu algo muito mais valioso: a confiança de quem trabalha com ele todos os dias. E em uma instituição como o STF, onde tudo depende de relacionamento e confiança, isso é praticamente irreversível.

A situação é sem precedentes, segundo os ministros. Perplexidade e desconforto. Quebra de confiança inédita. Toffoli pode ter vencido a batalha da relatoria, mas perdeu a guerra pelo respeito dos colegas.

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