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Acadêmicos de Niterói faz história da Sapucaí

Cena do desfile da escola de samba de Niterói que homenagenou Lula

Data: 16 de fevereiro de 2026

A Acadêmicos de Niterói entrou na Marquês de Sapucaí no domingo passado e levou para a avenida não só um samba bonito, mas uma aula de resistência política que dói e emociona ao mesmo tempo. “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” é o tipo de enredo que pega pesado porque não tira nada do lugar. A escola, que nasceu em 2018, escolheu contar a história de um cara que saiu do Nordeste, virou metalúrgico no ABC paulista, liderou greves quando greve era coisa de gente corajosa, venceu a eleição presidencial três vezes e ainda teve que lidar com prisão e um golpe que o tirou da disputa de 2018.

Não é poesia vaga. É história mesmo, com nomes, datas e feridas ainda abertas.

Quando a avenida vira tribunal da memória

O que torna isso interessante é como a escola não fingiu que nada aconteceu. Ela colocou na avenida as greves operárias, os programas sociais que marcaram os governos Lula, mas também colocou a prisão. Colocou a anulação das condenações. Colocou o episódio que mudou tudo, o golpe: quando Michel Temer retirou simbolicamente a faixa presidencial de Dilma Rousseff em 2016.

Aquilo não foi golpe de Estado? Pois bem, a Acadêmicos de Niterói colocou na avenida. Não deixou para os historiadores decidirem depois. Mostrou ali, na Sapucaí, que o Brasil sofreu um golpe e que as pessoas precisam saber disso.

E tem mais. Bolsonaro apareceu como o palhaço Bozo atrás de grades com tornozeleira eletrônica. Não é metáfora delicada. É a realidade do cara que tentou dar um golpe, foi condenado e agora está respondendo na Justiça. A escola colocou isso tudo junto: a história de Lula e a história de quem tentou impedir que ele voltasse.

O contexto que ninguém quer lembrar

Aqui está a coisa que incomoda certa gente: a narrativa que a Acadêmicos de Niterói contou não é opinião. É fato. Lula foi preso. As condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Dilma sofreu um impeachment que a maioria dos analistas políticos chama de golpe. Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

A escola não inventou nada. Ela apenas organizou os fatos em sequência, com música e cores, e colocou na avenida para que todo mundo visse. Isso é o que a história deveria fazer: conectar os pontos, mostrar como uma coisa leva à outra, explicar por que a gente chegou aqui.

O samba-enredo percorreu a saída do Nordeste, a experiência como metalúrgico, a liderança sindical, as campanhas presidenciais e o retorno ao Palácio do Planalto. Não é uma sequência aleatória. É a trajetória de um cara que foi impedido de governar, que foi preso, que teve suas condenações anuladas e que voltou. Isso é reconstrução nacional mesmo.

Quem estava vendo

Lula assistiu ao desfile ao lado de Janja da Silva, Geraldo Alckmin e Eduardo Paes. Janja desistiu de desfilar no último momento para evitar problemas com a Justiça Eleitoral.

A Globo, que demorou demais para mostrar o início do desfile, virou alvo de reclamações nas redes sociais. Ontem à noite foi um dia para ficar na memória: ver a Globo, que endossou o golpe contra a Dilma e Lula, ter que exibir e comentar uma homenagem ao presidente é daquelas coisas que não têm preço.

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