Dez encontros entre Toffoli e Vorcaro que o ministro preferia que ninguém soubesse
Data: 19 de fevereiro de 2026
A Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal um relatório que documenta mais de dez encontros presenciais entre o ministro Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre 2023 e 2024. Segundo a reportagem de Natália Portinari no UOL, a PF indica que a relação entre os dois vai muito além daquele papo no WhatsApp em que o ministro convidou o banqueiro para sua festa de aniversário.
Os encontros ocorreram principalmente em eventos sociais em Brasília, como jantares e festas, conforme indicam as mensagens analisadas pela investigação. Quando procurados para explicar essas mais de dez ocasiões em que estiveram juntos, nem Toffoli nem Vorcaro responderam. O ministro, porém, divulgou uma nota negando qualquer amizade com o banqueiro e afirmando desconhecer completamente o gestor do fundo Arleen.
Aqui entra a parte que realmente chama atenção. O relatório da PF aponta que o fundo Arleen, controlado pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, transferiu R$ 35 milhões para a Maridt, uma empresa onde Toffoli é sócio junto com seus familiares. O timing é suspeito: a Maridt vendeu sua fatia de um resort para o fundo Arleen em setembro de 2021, mas os pagamentos do fundo para a empresa ocorreram entre 2024 e 2025. Ou seja, anos depois da transação original. Toffoli nega ter recebido qualquer valor de Vorcaro ou de Zettel.
A situação ficou tão tensa que Toffoli deixou a relatoria dos casos do Banco Master após a entrega do relatório. Durante uma reunião entre os ministros, segundo o Poder 360, Luiz Fux comentou que Vorcaro e Toffoli tinham apenas “seis minutos de conversa” entre si. Parece que alguém esqueceu de contar os outros dez encontros documentados. Os inquéritos foram redistribuídos por sorteio para André Mendonça na última sexta-feira.
O vazamento do conteúdo dessa reunião provocou uma crise entre os ministros do Supremo, que suspeitam ter sido gravados por Toffoli. Quando você tem um ministro que nega conhecer alguém com quem se encontrou mais de dez vezes, recebe milhões de um fundo ligado a esse alguém e depois sai correndo da relatoria do caso, a credibilidade não exatamente floresce. A investigação da Polícia Federal deixa claro que há muito mais conexões entre esses personagens do que as negativas públicas sugerem.




