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Ex-príncipe Andrew preso no dia do aniversário por vazar documentos a Epstein

Fotos divulgadas nos arquivos de Epstein mostram ex-príncipe Andrew de quatro sobre uma mulher — Foto: Divulgação / Departamento de Justiça dos EUA

Data: 19 de fevereiro de 2026

A Polícia de Thames Valley prendeu o ex-príncipe Andrew na manhã desta quinta-feira (19), exatamente no dia do seu 66º aniversário, por “suspeita de má conduta no exercício de um cargo público”. A acusação está relacionada ao período em que Andrew Mountbatten-Windsor atuou como enviado comercial do Reino Unido, cargo que ocupou entre 2001 e 2011. O crime de má conduta em cargo público pode resultar em prisão perpétua.

A prisão ocorreu após a chegada de seis carros descaracterizados e cerca de oito agentes à paisana à propriedade de Wood Farm, localizada em Sandringham, no condado de Norfolk, pouco depois das 8h no horário local. Um dos policiais carregava um computador portátil de uso oficial. Parte das viaturas entrou pela frente da residência de cinco quartos, situada na vila de Wolferton, enquanto outras utilizaram a entrada traseira. Segundo a polícia, operações de busca estavam em curso também em endereços em Berkshire e Norfolk.

A polícia de Thames Valley confirmou a detenção em comunicado oficial, embora não tenha revelado o nome do suspeito, conforme as diretrizes nacionais britânicas. “Como parte da investigação, hoje prendemos um homem na casa dos sessenta anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público”, afirmou o chefe assistente de polícia Oliver Wright. “É importante que protejamos a integridade e a objetividade de nossa investigação enquanto trabalhamos com nossos parceiros para apurar essa suposta infração.”

O timing da prisão não é coincidência. Em 11 de fevereiro, novos documentos vieram à tona parecendo indicar que o irmão do Rei Charles III repassou informações confidenciais ao financista Jeffrey Epstein.

Segundo um e-mail com data de 24 de dezembro de 2010, o ex-príncipe teria encaminhado “um relatório confidencial” sobre oportunidades de investimento no Afeganistão. Os documentos sugerem que, no mesmo ano, Andrew enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho a China, Cingapura e Vietnã.

Enquanto representante especial para o Comércio Internacional, ele tinha acesso a informações sensíveis do governo britânico e as passava para um criminoso sexual.

O Ministério Público informou que está “em contato” com a polícia sobre as suspeitas. A investigação também envolve Peter Mandelson, ex-embaixador britânico em Washington, suspeito de ter repassado documentos confidenciais a Epstein. Ou seja, não se trata apenas de um caso isolado de um príncipe desavisado, mas de um padrão de vazamento de informações sensíveis para uma rede de abuso sexual.

Os documentos se somam às acusações de agressão sexual apresentadas contra o ex-príncipe por Virginia Giuffre, vítima de Epstein que cometeu suicídio em 2025. Uma segunda mulher afirmou posteriormente, por meio de seu advogado, que Epstein a enviou à Inglaterra em 2010 para manter relações sexuais com o filho da rainha Elizabeth II.

Outro advogado americano revelou que uma de suas clientes relatou que Epstein e o ex-príncipe a obrigaram a manter relações sexuais durante uma festa na Flórida em 2006.

A queda de Andrew da graça real já era evidente antes dessa prisão. Em outubro de 2025, o Rei Charles retirou o título de príncipe do irmão e o obrigou a deixar a casa em Windsor onde vivia. Agora, com a prisão por vazamento de documentos confidenciais e sua conexão comprovada com uma rede de abuso sexual, Andrew enfrenta consequências legais que vão muito além da perda de títulos aristocráticos.

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