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Milei aprova reforma trabalhista sob bombas e prisões na Argentina

Data: 20 de fevereiro de 2026

A madrugada em Buenos Aires não foi de descanso para os parlamentares nem de paz para quem estava nas ruas. A Câmara dos Deputados aprovou a reforma trabalhista de Javier Milei com um placar apertado de cento e trinta e cinco votos contra cento e quinze. O texto agora volta para o Senado após uma sessão que durou mais de dez horas e foi regada a gás lacrimogêneo do lado de fora.

Segundo a agência de notícias AFP e o jornal Clarín, o saldo da noite incluiu pelo menos dez manifestantes presos e um cenário de guerra nas proximidades do Congresso Nacional.

A proposta do governo argentino é apresentada com o verniz de salvação para os quarenta por cento de trabalhadores que vivem na informalidade. Na prática, a lógica aplicada pelo ocupante da Casa Rosada é curiosa.

Para supostamente criar empregos, Milei propõe reduzir as indenizações por demissão e estender a jornada de trabalho para doze horas diárias. É a liberdade de trabalhar até a exaustão com menos garantias em troca de uma prometida redução da carga tributária para os patrões.

Enquanto o governo fala em modernização, a Confederação Argentina de Trabalhadores classifica a medida como uma regressão inconstitucional.

O contexto social da Argentina explica a fúria que tomou as avenidas da capital. Em apenas dois anos de gestão Milei, o país assistiu ao fechamento de 120 mil postos de trabalho no setor privado e outros 80 mil no serviço público. A quarta greve geral enfrentada pelo presidente paralisou estações de trem e manteve o comércio de portas fechadas.

A ideia de que a pobreza e o desemprego são frutos de leis que protegem quem trabalha ignora a realidade da falta de investimento produtivo e o sufocamento da economia real pelas políticas macroeconômicas vigentes.

Os interesses políticos por trás dessa desregulamentação são evidentes e não aceitam qualquer tipo de diálogo. A repressão policial com balas de borracha e jatos d’água contra quem ousou desafiar as grades da Praça do Congresso mostra que a nova ordem econômica argentina tem pouca tolerância para dissidências.

O governo insiste que a precarização vai gerar prosperidade, mas os dados de fechamento de empresas e demissões em massa contam uma história bem diferente. No fim das contas, a reforma parece ser um ajuste de contas contra os sindicatos e uma entrega de direitos históricos ao grande empresariado.

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