STF coloca cadeado na Operação Compliance Zero e André Mendonça vira segurança da investigação
Data: 20 de fevereiro de 2026
André Mendonça acaba de fazer algo que parece simples mas é profundamente político. O ministro do STF autorizou a Polícia Federal a trabalhar normalmente na análise de cem dispositivos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. Na sua decisão, ele cercou essa autorização com tantas restrições de sigilo que praticamente criou uma investigação blindada contra qualquer vazamento ou interferência política.
Vamos entender o que está acontecendo aqui. A PF pediu para distribuir as perícias entre seus peritos conforme critérios técnicos e administrativos normais. Mendonça concordou, mas com uma condição que soa inocente mas é explosiva: apenas quem está diretamente envolvido na análise pode saber do que está acontecendo. Nem mesmo os chefes hierárquicos. Nem outras autoridades públicas. Ninguém além dos peritos e delegados responsáveis.
Isso é uma resposta clara a algo que ninguém está dizendo em voz alta. A Operação Compliance Zero envolve o Banco Master, uma instituição que tem conexões políticas e empresariais complexas. Se essa investigação vazar para a imprensa ou for usada como arma política, o estrago é imenso. Mendonça está dizendo que não vai permitir isso. O sigilo é nível três, o máximo, e qualquer novo inquérito relacionado ao caso precisa de autorização dele pessoalmente.
A Diretoria de Inteligência da PF, por exemplo, só pode receber informações se tiver necessidade funcional específica. Não é porque é inteligência que merece saber tudo. A Corregedoria só acessa dados se estiver investigando má conduta de policiais. Ninguém mais entra. É como se Mendonça tivesse dito: vocês vão investigar isso, mas vão fazer sozinhos, em silêncio, sem contar para ninguém.
O ministro justificou tudo isso com uma frase que resume o medo real por trás dessa decisão. Ele quer evitar que dados sensíveis sejam usados para fins políticos ou para atender interesses de meios de comunicação. Traduzindo: ele sabe que investigações vazadas viram armas. Sabe que informações sigilosas podem ser usadas para prejudicar adversários políticos. E está tentando impedir que isso aconteça nesse caso específico.
Mas tem um detalhe que merece atenção. Mendonça está criando um mecanismo de controle tão apertado que qualquer vazamento vai deixar rastro. Se alguém quebrar o sigilo, a Corregedoria vai investigar. Se um policial federal passar informação para seu chefe ou para outra autoridade pública sem necessidade funcional, isso é violação. E violação de sigilo profissional em investigação federal não é brincadeira. Pode virar processo criminal e administrativo.
Mendonça está apostando que consegue manter a investigação viva e produtiva sem deixá-la virar moeda de troca política. É uma aposta arriscada porque sigilo absoluto também pode esconder abusos. Mas é a aposta que ele está fazendo.
No fim das contas, Mendonça está dizendo que a Operação Compliance Zero vai acontecer, mas vai acontecer longe dos holofotes. Se isso vai funcionar depende de quanto tempo a investigação consegue ficar fora do radar público.




