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Pacheco no xadrez mineiro: Lula já o vê como candidato, mas o senador segue dançando entre partidos

Presidente Lula e senador Rodrigo Pacheco em agenda de anúncios de obras do novo PAC em Contagem (MG)

Data: 20 de fevereiro de 2026

Olha só que coisa interessante está acontecendo nos bastidores da política mineira. O presidente Lula já está falando para os amigos, em conversas que ele pensa ser privadas, que Rodrigo Pacheco será seu candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. Para o Palácio do Planalto, a coisa está praticamente costurada. Mas tem um detalhe que complica tudo: o próprio Pacheco não confirmou nada disso.

Segundo a coluna de Lauro Jardim do jornal O Globo, Lula passou a apresentar o senador mineiro como a solução política para unificar o campo governista e montar um palanque competitivo contra o governador Romeu Zema e o bolsonarismo no estado. Para o presidente, Pacheco já teria dado seu “ok” para o plano. Procurado, o senador não comentou.

Enquanto isso, os aliados de Pacheco contam uma história bem diferente. Eles afirmam que o senador mantém negociações políticas sem assumir nenhum compromisso eleitoral formal. Traduzindo para o português claro: ele está conversando com todo mundo, mas não está prometendo nada a ninguém. E tem mais. Parte desse movimento envolve tratativas para uma possível filiação ao MDB, o que significaria sair do PSD onde está hoje.

A migração partidária depende de acertos políticos que devem acontecer nas próximas semanas, depois que Lula volta da viagem pela Ásia. O União Brasil foi cogitado como alternativa, mas perdeu força por causa de entraves envolvendo a federação com o PP e resistências internas. O PP tem como principal liderança em Minas o secretário de Governo da gestão Zema, Marcelo Aro, o que reduz o espaço político para Pacheco se mexer por lá.

No MDB, porém, as conversas com Pacheco seguem em ritmo diferente. A ideia é que ele leve seu grupo político para a sigla, mas sem necessariamente se vincular a uma candidatura ao governo estadual. Interlocutores afirmam que o senador tem repetido aos dirigentes do partido que não pretende disputar cargo eletivo neste momento. Ele mantém a hipótese de candidatura mais como instrumento de articulação política enquanto reorganiza suas alianças no estado.

Antes do carnaval, Pacheco conversou ao menos três vezes com aliados e dirigentes partidários, reforçando o interesse em ingressar na legenda. Participam dessas conversas o presidente estadual do MDB, Newton Cardoso Júnior, o deputado estadual João Magalhães e Gabriel Azevedo, que é o pré-candidato da legenda ao governo mineiro e tem atuado como interlocutor direto do senador junto à direção partidária. A expectativa é que novas reuniões presenciais aconteçam em Brasília nas próximas semanas.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, foi mais cauteloso. Ele afirmou que em Minas tem Gabriel Azevedo como pré-candidato a governador e que até agora não houve conversas com Pacheco nem com o presidente estadual Newton Cardoso sobre qualquer mudança nesse cenário.

No desenho que integrantes do MDB estão fazendo, Pacheco ingressaria na sigla declarando apoio ao nome de Gabriel Azevedo para o Palácio Tiradentes. O ex-vereador tenta construir uma candidatura de frente ampla contra o vice-governador Mateus Simões, que é aliado de Zema e pré-candidato pelo PSD, e contra o bolsonarismo. Azevedo, porém, resiste à vinculação direta ao presidente Lula, fator que o Palácio do Planalto vê como obstáculo.

A negociação também envolveria a possibilidade de chegada conjunta de aliados e parlamentares próximos a Pacheco, entre eles os deputados federais Igor Timo e Luís Fernando Faria, ambos do PSD-MG, além de outras lideranças regionais.

E como fica Kalil?


Tem mais um personagem nessa história que não pode ser ignorado. Alexandre Kalil, o ex-prefeito de Belo Horizonte pelo PDT, também está na disputa. Se Pacheco fosse candidato, Kalil poderia atrapalhar seu desempenho porque compartilham o mesmo eleitorado. No entorno de Kalil, a avaliação é de que não há espaço para interpretações de recuo político. Aliados afirmam que ele mantém a pré-candidatura ao governo e negam qualquer negociação para disputar o Senado em composição com a prefeita de Contagem, Marília Campos, do PT.

Kalil considera que abrir mão da disputa neste momento não faria sentido diante de seu desempenho nas pesquisas e da disposição de seu partido em sustentar a candidatura. Quando perguntado sobre o assunto, ele foi direto: “Sou candidato pelo PDT ao governo de Minas. O PT que se resolva”. No PDT, há dirigentes que defendem a hipótese de Kalil disputar a Câmara dos Deputados como estratégia para ampliar a bancada federal da sigla em Minas Gerais, mas essa possibilidade é rejeitada por ora pelo entorno do ex-prefeito.

PT Mineiro nega definição

O PT de Minas também entrou nessa conversa. A presidente do partido no estado, deputada estadual Leninha, negou que haja definição até o momento sobre a candidatura de Pacheco. Em nota, ela reconheceu que Pacheco é um nome com densidade política, mas afirmou que o diálogo segue em curso e que, sob sua gestão, o debate será conduzido no grupo de trabalho eleitoral e nas instâncias partidárias de forma coletiva, pensando no melhor para Minas e para o Brasil.

Leninha mencionou os encontros que ocorreram entre o senador e o presidente para tratar sobre o tema, sendo o último dias antes do Carnaval, em 11 de fevereiro. Ela também lembrou da possibilidade de mudança de partido por parte de Pacheco, que perdeu espaço para se candidatar ao governo mineiro pelo PSD após o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, filiar Mateus Simões, o vice-governador e pré-candidato na disputa. Pacheco estaria entre o União Brasil e o MDB, e também recebeu convite do PSB.

A deputada encerrou a nota reforçando que a decisão sobre o candidato apoiado pelos petistas em Minas será feita de forma coletiva. Ela citou ainda momentos históricos com lideranças como Juscelino Kubitschek, Itamar Franco e Tancredo Neves, sinalizando que Minas deve voltar ao centro do debate nacional.

O que temos aqui é um jogo de xadrez onde ninguém quer revelar suas peças. Lula acha que tem Pacheco na mão, Pacheco negocia sem se comprometer, o MDB quer seu grupo político, Kalil não quer sair da disputa, e o PT de Minas quer que tudo seja decidido de forma coletiva. Enquanto isso, Mateus Simões e Romeu Zema observam o caos da oposição e devem estar rindo à toa. A política mineira segue como sempre: cheia de reviravoltas, negociações de bastidores e promessas que podem virar fumaça a qualquer momento.

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