Por que Lula busca apoio do centrão mesmo sabendo com quem está lidando?
Data: 24 de fevereiro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca foi um político ingênuo. Quem ainda insiste nessa caricatura, seja para endeusá-lo, seja para demonizá-lo, ignora a própria história recente do Brasil.
Lula é, antes de tudo, um operador político que compreende a natureza real do poder num país estruturado sobre um presidencialismo de coalizão, fragmentado, fisiológico e profundamente marcado por interesses regionais.
Em 2026, diante da ameaça de consolidação de um polo bolsonarista reorganizado sob a liderança de Flávio Bolsonaro, o presidente opera dentro da lógica que sempre definiu as grandes vitórias eleitorais no Brasil: ampliar o campo de apoio, dividir o adversário e, se não for possível conquistar aliados, ao menos neutralizá-los.
A busca por alianças para além do campo progressista não é um desvio ideológico, mas um movimento pragmático de sobrevivência democrática e de disputa concreta de poder.
Há quem, dentro do próprio campo progressista, torça o nariz quando Lula dialoga com setores do chamado centrão. O desconforto é compreensível. Trata-se de um agrupamento político historicamente associado à falta de compromisso programático, à troca de apoio por espaços no Estado, à lógica do “governismo” que se adapta a qualquer projeto desde que preservados seus interesses.
Mas ignorar esse bloco não o faz desaparecer. O centrão é, hoje, peça estruturante do Congresso Nacional, controla fatias significativas do orçamento via emendas, preside comissões estratégicas e exerce influência direta sobre governadores e prefeitos. Governar o Brasil sem dialogar com esse núcleo é simplesmente inviável. Disputar uma eleição nacional ignorando-o é suicídio político.




