PF indicia Bacellar e TH Joias por vazar informações para o CV
Data: 27 de fevereiro de 2026
A Polícia Federal acabou de indiciar Rodrigo Bacellar, presidente licenciado da Alerj, o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva (conhecido como TH Joias), além de Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado. A acusação é grave: vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.
O que torna essa história particularmente reveladora é o timing. Bacellar foi preso em dezembro após a Operação Unha e Carne, suspeito de ter vazado detalhes da Operação Zargun, que derrubou TH Joias em setembro. Segundo o Blog do Octavio Guedes, na véspera da operação contra TH, Bacellar ligou avisando sobre os mandados e orientando destruição de provas. TH Joias, convenientemente, não estava em casa quando a PF chegou.
A defesa de TH Joias nega envolvimento com vazamento e com a organização criminosa, mas os fatos falam por si. A investigação revelou um esquema onde a facção se infiltrava na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas.
Crime organizado infiltrado no poder público
Não era apenas tráfico de drogas. Estamos falando de importação de armas do Paraguai, equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais. Tudo isso com a ajuda de agentes públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares e ex-secretários.
O desembargador Macário Judice Neto, que chegou a ser preso, não foi indiciado. A PF justificou a decisão pela Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para magistrados. Bacellar deixou a prisão em dezembro após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que substituiu a detenção por medidas cautelares.
O que fica evidente é que a corrupção política não é um desvio ocasional. É a engrenagem que mantém o crime organizado funcionando. Quando deputados estaduais viram porta de entrada para informações sigilosas, quando a administração pública se torna refém de facções, estamos diante de algo muito mais profundo que corrupção individual. Estamos vendo o Estado sendo capturado pelo crime. E isso, segundo a PF, é exatamente o que acontecia no Rio de Janeiro.




