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Estado paralelo: PF diz que Bacellar era a liderança política do CV na Alerj

TH Joias e Rodrigo Bacellar

Data: 27 de fevereiro de 2026

A Polícia Federal apresentou um retrato devastador de como a política carioca foi capturada pelo crime organizado. Em relatório de 188 páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal, a corporação afirma que Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa, exercia “a liderança do núcleo político” do Comando Vermelho.

Segundo a investigação, Bacellar não era apenas um político corrupto que vazava informações. Ele atuava como elo político da facção, oferecendo sustentação institucional e proteção a seus interesses. A posição de presidente da Alerj, eleito por unanimidade, lhe conferia uma “macroinfluência em todos os setores políticos do Rio”, além de “ascendência hierárquica sobre os demais membros” da casa legislativa.

Essa influência tinha propósito bem definido. De acordo com a PF, Bacellar controlava seus aliados e direcionava “o que deveria ser movimentado ou não” antes da chegada da polícia à casa de TH Joias. Quando a operação contra o ex-deputado estava prestes a acontecer, Bacellar ligou avisando sobre os mandados. Não era um favor pessoal. Era o exercício de sua função dentro da estrutura criminosa.

O relatório descreve TH Joias como o elo da facção ao poder público. Identificado como parlamentar estadual e integrante do Comando Vermelho com “assento na Alerj para atendimentos escusos da facção, notadamente na área da segurança pública”, ele intermediava a aquisição de armas e equipamentos tecnológicos para o grupo. Participava presencialmente de encontros com a cúpula do Comando Vermelho.

A PF sustenta que a relação entre grupos criminosos e agentes públicos é um dos fatores que fortalecem o crime organizado no estado. O documento aponta para a formação de um “verdadeiro estado paralelo”, capaz de comprometer o êxito de operações policiais. Para a corporação, o caso seria “o retrato perfeito da espoliação dos espaços públicos de poder pelas facções criminosas no Rio”.

O que emerge dessa investigação é algo mais profundo que corrupção individual. Quando um presidente da Alerj exerce liderança política de uma facção criminosa, quando um deputado estadual funciona como intermediário de armas para o crime organizado, quando a estrutura legislativa é capturada para “atendimentos criminosos”, estamos diante de uma ruptura institucional. Não é um desvio ocasional. É a transformação da máquina pública em instrumento do crime. A Alerj não apenas tinha políticos corruptos. Tinha uma liderança que organizava a facção. Isso muda completamente a natureza do problema.

1 comentários para “Estado paralelo: PF diz que Bacellar era a liderança política do CV na Alerj”

  1. O Rio de Janeiro vota mal demais há anos!! Acho que gente honesta tem receio de se candidatar e vir a ser morta no cargo. Só lixo, lixo, lixo!! Eu mesma votei no Paes, para não deixar elegerem Ramagem, hoje fugitivo! Uma tristeza!

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