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Hezbollah ataca Israel para retaliar morte de aiatolá

Data: 2 de março de 2026

O Hezbollah voltou a atacar Israel nesta segunda-feira (2) e entrou na guerra deflagrada por Israel e EUA contra o Irã na madrugada de sábado. O ataque de mísseis e drones lançado contra Israel pelo Hezbollahh é o primeiro desde o cessar-fogo de novembro de 2024. Israel respondeu bombardeando diversas regiões do Líbano, incluindo os subúrbios de Beirute.

O grupo xiita libanês, apoiado pelo Irã, alegou que atacou uma defesa antimíssil israelense em Haifa como resposta legítima de autodefesa. Segundo o Hezbollah, Israel violou o cessar-fogo durante 15 meses com incursões militares contínuas. Mas há mais na história. O grupo também justificou a ação como retaliação pelo assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morto em um ataque conjunto dos EUA e Israel no sábado anterior.

A resposta israelense foi imediata e dura. As Forças de Defesa de Israel lançaram uma “primeira onda ampla de ataques” em Beirute e no sul do Líbano, visando o que chamam de infraestrutura terrorista. O saldo até agora é pesado: pelo menos 52 mortos e 154 feridos, segundo balanço oficial. Mais de 28 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas.

Enquanto isso, o presidente libanês Joseph Aoun condenou os ataques do Hezbollah, afirmando que o grupo está usando o Líbano como plataforma para guerras que nada têm a ver com o país. Aoun está em uma posição incômoda: precisa condenar tanto os ataques do Hezbollah quanto os bombardeios israelenses, tentando manter o Líbano fora de um conflito que já o engoliu. O primeiro-ministro Nawaf Salam foi além e proibiu as atividades militares do Hezbollah, restringindo o grupo à esfera política. Boa sorte com isso.

O que torna essa escalada particularmente delicada é o contexto maior. O conflito entre Israel e Hezbollah não começou ontem nem em outubro de 2023. Começou em 1978, quando Israel invadiu o Líbano perseguindo a resistência palestina. Desde então, houve invasões em 1982, ocupação até 2000, e campanhas militares em 2006, 2009 e 2011. A de 2006 durou 30 dias e matou mais de 10 mil civis. O Hezbollah nasceu justamente como resposta a essas ocupações, apoiado pelo Irã.

O cessar-fogo de novembro era frágil desde o início. Israel continuou bombardeando e ocupando áreas do Líbano, alegando que precisava impedir a recuperação militar do Hezbollah. O grupo, enfraquecido após perder seus principais líderes, incluindo Hassan Nasrallah, manteve-se relativamente quieto até agora. Mas a morte de Khamenei parece ter sido o ponto de ruptura.

Há um detalhe importante que revela como funciona a política regional: o Hezbollah justificou seus ataques como defesa do Líbano e do povo palestino, conectando sua luta à morte do líder iraniano. Israel, por sua vez, afirma que o Hezbollah se tornou alvo por colaborar com o regime iraniano. Cada lado vê a ação do outro como agressão injustificada e a sua própria como defesa legítima.

A questão agora é se isso marca o fim do cessar-fogo ou apenas um episódio de escalada controlada.

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