Investimento estrangeiro no Brasil bate recorde histórico: US$ 1,1 trilhão em 2024
Data: 26 de setembro de 2025
O Brasil fechou 2024 com números que impressionam: US$ 1,141 trilhão em investimento estrangeiro direto, representando quase metade do nosso PIB (46,6%). É o maior percentual da história, segundo o Banco Central.
Para entender a dimensão desse feito, vamos voltar no tempo. Em 1995, quando começaram a medir esses dados, o investimento estrangeiro representava apenas 6,1% do PIB brasileiro. Vinte e nove anos depois, saltamos para quase 47% – um crescimento impressionante que mostra como o país se tornou atrativo para o capital internacional.
Como chegamos até aqui
A trajetória foi consistente ao longo das décadas. No ano 2000, já tínhamos 17,1% do PIB em investimentos externos. Em 2010, chegamos a 25,2%. O marco dos 30% foi ultrapassado pela primeira vez em 2019, com 34,6%. No ano passado, registramos 45%, e agora batemos esse novo recorde.
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, explica que a maioria dessas empresas que recebem capital estrangeiro acaba sendo controlada pelos próprios investidores externos. “Tem 100% do capital ou tem o controle da empresa, mais de 50%”, detalha.
Estados Unidos lideram os investimentos
Quando falamos de origem desses recursos, os Estados Unidos aparecem como nosso principal parceiro, seguidos por França, Uruguai, Espanha e Países Baixos. Essa diversificação geográfica mostra que diferentes mercados enxergam oportunidades no Brasil.
Os setores que mais atraem esses investimentos também revelam muito sobre nossa economia. Serviços financeiros, comércio, eletricidade e extração de petróleo somam 40% de toda a posição de investimento estrangeiro no país.
O que significa na prática
Rocha destaca um ponto fundamental: “O mais importante é o caráter tipicamente produtivo desse investimento direto, aumentando capacidade instalada no país, contribuindo para crescimento de produtividade”.
Isso significa que não estamos falando apenas de números no papel. Esses US$ 1,1 trilhão se traduzem em fábricas, empresas, empregos e tecnologia chegando ao Brasil. São investimentos que movimentam a economia real.
A questão do câmbio
Aqui tem um detalhe importante que pode confundir quem acompanha esses dados. Em valores absolutos, o estoque de investimento era maior no final de 2023, quando marcava US$ 1,3 trilhão. Como assim?
A explicação está no câmbio. Entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, o dólar subiu de R$ 4,84 para R$ 6,19. Como os investimentos são feitos em reais e depois convertidos para dólar, essa variação cambial “reduziu” o valor quando expresso em moeda americana.
Dividindo o bolo
O Banco Central separa esse trilhão em duas fatias principais:
- US$ 884,8 bilhões em participação no capital social das empresas (ou seja, os estrangeiros viraram sócios)
- US$ 256,4 bilhões em operações entre empresas do mesmo grupo (empréstimos internos)
O que isso representa para o Brasil
Esses números mostram que o Brasil continua sendo visto como um destino atrativo para investimentos internacionais, mesmo em um cenário global desafiador. Para nós, brasileiros, isso significa mais empresas gerando empregos, mais tecnologia chegando ao país e maior integração com a economia mundial.
O recorde de 46,6% do PIB em investimentos estrangeiros diretos não é apenas uma estatística – é um termômetro da confiança internacional no potencial brasileiro. E pelos dados do Censo de Capitais Estrangeiros, essa confiança só cresce.




