Capanga de Vorcaro tenta suicídio após ser preso pela PF em Belo Horizonte
Data: 5 de março de 2026
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” de Vorcaro, o capanga do banqueiro, está internado em estado gravíssimo após ser encontrado desacordado na cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. A informação foi confirmada pela PF, que acionou o Samu e levou o preso para o Hospital João XXIII.
Mourão estava preso na Operação Compliance Zero, investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Ele é acusado de atuar como o capanga para o banqueiro Daniel Vorcaro, também preso na mesma operação e apontado como chefe da organização criminosa.
Os documentos da investigação revelam um padrão perturbador de atividades. Mourão recebia um milhão de reais por mês para executar ordens que iam desde monitoramento de pessoas até intimidação física e moral. As conversas obtidas pela PF mostram Vorcaro ordenando que Mourão levantasse dados de uma empregada, intimidasse funcionários e planejasse agressão ao jornalista Lauro Jardim, do O Globo. Em um dos trechos, Vorcaro sugere intimidar um chefe de cozinha primeiro para assustar outro alvo. “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, diz a mensagem.
A dinâmica das comunicações entre os dois revela como funcionava a estrutura. Quando Vorcaro se sentia ameaçado por uma empregada, ordenava que Mourão obtivesse seu endereço e dados pessoais. Quanto ao jornalista, as mensagens indicam que Vorcaro sinalizava querer “mandar dar um pau” e “quebrar todos os dentes” em um assalto. O Globo divulgou nota repudiando “veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim”.
A defesa de Mourão afirmou que esteve pessoalmente com ele até por volta das 14h, quando o acusado se encontrava em “plena integridade física e mental”. A nota da defesa ressalva que a informação sobre o incidente foi conhecida após comunicado da Polícia Federal e que acompanhava os fatos no hospital, mas sem confirmação oficial do estado de saúde até aquele momento.
A PF informou que policiais iniciaram procedimento de reanimação assim que identificaram a tentativa de suicídio. Uma investigação interna será aberta para apurar o caso, e vídeos que mostram a dinâmica do ocorrido serão entregues ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.
A defesa de Vorcaro negou as acusações e afirmou que o banqueiro “sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início”. Os advogados acrescentaram que confiam que o “esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”.
O que temos aqui é um caso que expõe como estruturas criminosas funcionam quando alguém tem recursos para terceirizar a violência. Mourão era o intermediário entre as ordens e a execução, o rosto visível de ações que Vorcaro planejava de longe. Sua morte na cela levanta questões sobre o que mais pode estar por vir nesta investigação que envolve fraudes bilionárias e práticas de intimidação contra jornalistas.
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