Flávio Bolsonaro (PL) saiu do anonimato para se firmar como principal adversário do presidente Lula (PT) na disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa do Datafolha divulgada esta semana. O senador fluminense, lançado pelo pai Jair Bolsonaro ainda preso, agora marca 12% de intenção de voto espontânea, um número que não existia em dezembro. Na simulação de primeiro turno mais provável, ele fica a apenas 6 pontos de Lula (38% contra 32%), enquanto no segundo turno o empate técnico reduz a vantagem presidencial de 15 para apenas 3 pontos.
A pesquisa, realizada pelo Datafolha entre 3 e 5 de março com 2.004 eleitores em 137 municípios (margem de erro de 2 pontos), mostra que a aposta de Jair Bolsonaro em seu filho funcionou melhor que o ceticismo inicial sugeria. Enquanto isso, a estratégia do PSD de Gilberto Kassab de lançar três candidatos e escolher um depois não decolou. Ratinho Jr., o melhor colocado entre os três, fica muito atrás do pelotão da frente com apenas 7% no cenário mais provável.
O que explica essa consolidação de Flávio é menos uma mudança de opinião do eleitorado e mais uma reconfiguração da polarização que domina a política brasileira desde 2018. O senador herda o reduto do pai: evangélicos (48%), sulistas e moradores do Norte/Centro-Oeste. Lula, por sua vez, mantém sua base tradicional entre nordestinos, católicos e pessoas com menor renda, chegando a 42% entre quem ganha até 2 salários mínimos.
A rejeição, porém, é o dado mais revelador. Lula acumula 46% de pessoas que nunca votariam nele após quase três mandatos completos. Flávio carrega o peso do sobrenome e também marca 45% de rejeição. Ambos são amplamente conhecidos: apenas 1% nunca ouviu falar de Lula e 7% desconhecem Flávio. Ratinho Jr., em contraste, tem apenas 19% de rejeição, mas 38% de desconhecimento, o que sugere espaço para crescimento se conseguir visibilidade.


