Fictor e Comando Vermelho compartilhavam o mesmo manual de fraude bancária
Data: 26 de março de 2026
A Polícia Federal descobriu algo que parecia improvável: um grupo empresarial e uma facção criminosa operavam com a mesma receita para enganar bancos e lavar dinheiro. A Operação Fallax, deflagrada na quarta-feira (25), revelou que o Grupo Fictor e células do Comando Vermelho usavam empresas fictícias, contabilidade fabricada e funcionários cooptados em um esquema que pode ter movimentado mais de R$ 500 milhões.
Segundo a investigação da PF, iniciada em 2024, a engrenagem funcionava assim: criavam-se empresas de fachada com características padronizadas, cooptavam pessoas para ceder dados pessoais, montavam contabilidade fraudada e geravam movimentações artificiais de dinheiro.
Gerentes de bancos inseriam informações falsas nos sistemas, acelerando aprovações de crédito e facilitando saques indevidos. O esquema operava por um período limitado, normalmente entre um e um ano e meio, depois era abandonado deixando os bancos com prejuízos milionários.
O que torna essa história particularmente reveladora é a profissionalização do modelo. Segundo a PF, a Fictor não apenas participava do esquema como funcionava como seu núcleo financeiro, injetando recursos que alimentavam as simulações de fluxo de caixa e ajudando a montar as empresas fictícias. Células do Comando Vermelho aproveitavam essa mesma estrutura para converter recursos do tráfico em bens de luxo e criptoativos, dificultando o rastreamento.
A operação prendeu ao menos 15 pessoas, incluindo dois gerentes da Caixa Econômica Federal e uma ex-gerente do Banco do Brasil. Rafael de Gois, CEO da Fictor, foi alvo de busca e apreensão. A Justiça bloqueou bens no valor de R$ 47 milhões e autorizou quebra de sigilo de 33 pessoas físicas e 172 jurídicas. Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro, com penas que somadas ultrapassam 50 anos de reclusão.
Instituições como Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra sofreram prejuízos com o golpe. A Caixa informou que colabora permanentemente com a Polícia Federal e que identifica movimentações atípicas através de seus mecanismos de monitoramento, reafirmando seu compromisso com a integridade e a transparência.




