Se tem alguém que é unanimidade na política, esse alguém é Sergio Moro. Odiado pela esquerda e pela direita, o juiz suspeito voltou a sentar no colo do bolsonarismo e já trouxe problemas para o partido. Mais de 50 prefeitos anunciaram saída do partido logo após a filiação de Sergio Moro à sigla. Marcel Henrique Micheletto, presidente da Associação dos Municípios do Paraná e prefeito de Assis Chateaubriand, lidera a debandada junto com outros 52 colegas, deixando o PL com apenas um prefeito nos 399 municípios do estado.
Moro, senador e pré-candidato a governador, pulou do União Brasil para o PL na terça passada, ao lado de Flávio Bolsonaro, prometendo que o Paraná não faltaria ao projeto nacional do bolsonarismo. Ele se somou à legenda que já planeja lançar Deltan Dallagnol e Filipe Barros ao Senado por lá. Mas a manobra irritou a base municipal, fiel ao governador Ratinho Jr. (PSD), que desistiu da pré ao Planalto na segunda e agora foca em eleger um sucessor para barrar Moro na corrida estadual.
Micheletto foi cirúrgico: respeitar a escolha partidária é uma conta, mas largar o maior governador da história do estado é outra bem diferente. Mais de 390 prefeitos, independentemente de legenda, grudam em Ratinho, sem ingratidão. Parlamentares do PL que bajulavam o governador agora surfam na onda de Moro, o que expõe o racha entre cúpula nacional e raiz local. No fim, a filiação que cheirava a reforço vira sangria, mostrando como apostas em outsiders bolsonaristas podem custar caro onde o jogo é municipal e o eleitor valoriza resultados concretos.

