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Trump ataca Brasil por Pix, taxa das blusinhas e até da 25 de Março

25demarço

Data: 1 de abril de 2026

O governo americano publicou relatório apontando o Brasil como protecionista. O documento do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), divulgado na terça-feira 31, dedica oito páginas a supostas barreiras que prejudicariam empresas dos Estados Unidos. A crítica mistura tarifas altas, inovações locais e até comércio de rua.

As tarifas médias brasileiras chegam a 12,5% em bens industriais e 9% em agrícolas, segundo dados de 2024. Automóveis, eletrônicos, químicos, plásticos, aço e têxteis sofrem com essas alíquotas. O USTR reclama que mudanças ligadas ao Mercosul criam incerteza para exportadores americanos.

Na propriedade intelectual, o governo Trump aponta impostos sobre audiovisuais estrangeiros, pirataria sem punições efetivas e falsificações. A rua 25 de Março, em São Paulo, aparece no relatório como mercado notório de pirataria. O USTR sugere mais fiscalização na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. Ignora, porém, que o Canal Street em Nova York tem problemas similares de falsificação.

O Pix recebe críticas por suposto favoritismo do Banco Central, que o criou e o opera. A agência reclama que o BC obriga instituições financeiras com mais de 500 mil contas a usar o sistema, prejudicando fornecedores americanos de pagamentos digitais. Chama isso de “tratamento preferencial”.

A chamada taxa das blusinhas também entra na mira. O Brasil cobra 60% em encomendas expressas até US$ 100 mil anuais por importador via Desembaraço Aduaneiro Simplificado. Há ainda limites de US$ 10 mil em exportações e US$ 3 mil em importações pela Receita Federal.

O PL 4.675, enviado ao Congresso em setembro de 2025, amplia poderes do Cade sobre plataformas digitais com faturamento acima de R$ 5 bilhões no Brasil ou R$ 50 bilhões globalmente. Pode impor regras prévias e multas de até 20% do faturamento mundial, afetando principalmente empresas americanas. Soma-se a queixas antigas como patentes lentas, barreiras à carne suína e cotas de tela para produções nacionais. Tudo pode resultar em tarifas retaliatórias na Seção 301.

O relatório serve de base para decisões de política econômica de Trump e pode levar a represálias comerciais contra o Brasil.

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