Brasil Paralelo filma em creche de SP sem autorização dos pais e muda fala de criança
Data: 20 de abril de 2026
A Brasil Paralelo gravou um documentário dentro da Emei Patrícia Galvão, em São Paulo, sem que a direção, professores e famílias soubessem qual era o teor da produção. A gestão Ricardo Nunes (MDB) autorizou as filmagens, mas segundo a prefeitura, a verificação de aspectos legais fica por conta dos produtores. Pais e educadores se mobilizam para barrar o lançamento previsto para 20 de abril.
A produtora defende que creches promovem “ideologia de gênero” e têm baixa qualidade. Nos trechos divulgados, critica a matrícula obrigatória a partir dos 4 anos, medida incorporada à Constituição Federal em 2009, e acusa a “escolarização precoce” de expor crianças a “determinadas ideologias”. O trailer exibe crianças com uniforme da rede municipal, ainda que tarjadas, mesmo sem autorização explícita para filmar menores.
A direção da escola informou aos pais que representantes da SPCine garantiram que as gravações aconteceriam apenas em espaços sem presença de alunos. Porém, um vídeo de divulgação mostra o momento em que um funcionário fecha a porta de uma sala onde crianças estavam tendo aula, impedindo a filmagem de um cartaz com Paulo Freire. A Brasil Paralelo usou essa cena para sugerir que a escola tentava esconder sua inspiração no educador.
Para Ariel Castro, advogado especialista em políticas públicas de direitos humanos, ainda que seja prerrogativa da Secretaria Municipal de Educação autorizar filmagens, a direção precisa estar ciente do teor do que será produzido. Além disso, pais e responsáveis precisam autorizar que seus filhos sejam gravados. Castro aponta que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê a “inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança”, abrangendo a preservação da imagem e identidade.
A prefeitura afirmou que o procedimento seguiu padrão e foi o mesmo adotado em todas as outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade até o momento em 2026. Questionada se sabia qual era o teor do documentário quando autorizou a gravação, não respondeu. A Secretaria Municipal de Educação também não comentou as críticas da produtora às creches municipais nem as acusações de promover “ideologia de gênero”.




