PCC pagou R$ 5 milhões por áudio de operação sigilosa entre Gaeco e PMs da Rota
Data: 20 de abril de 2026
Um novo Inquérito Policial Militar foi aberto este ano para investigar quem vendeu ao PCC um áudio de uma reunião ocorrida em 6 de outubro de 2021. Na conversa, um informante falava com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente, na presença de um policial penal e PMs do quartel da Rota. O preço da traição foi R$ 5 milhões. O vazamento das informações sigilosas impediu as prisões de narcotraficantes ligados à organização criminosa e de líderes do PCC.
Segundo reportagem de Josmar Jozinho, do UOL, um IPM anterior havia sido instaurado em outubro de 2024, mas foi arquivado. Tinha como alvo principal um grupo de PMs do serviço de inteligência da Rota, apontados como suspeitos. A Justiça Militar determinou a reabertura das investigações. O MP-SP e a Corregedoria da Polícia Militar apuraram que o PCC desembolsou R$ 5 milhões para ter acesso ao áudio. Até agora ninguém sabe quem recebeu o dinheiro.
O então tenente-coronel José Augusto Coutinho, chefe da Rota na época, chegou a atribuir o vazamento ao policial penal que era do serviço de inteligência da SAP e ligado a Gakiya. Porém, em depoimento à Corregedoria, o próprio promotor saiu em defesa do agente, afirmando que ele é de sua estrita confiança e tem certeza de que não gravou nem vazou o teor da conversa. Para Gakiya, algum PM da Rota foi responsável pelo vazamento.
As investigações se concentravam em dois núcleos suspeitos de associação com líderes do PCC. O primeiro era baseado dentro da Rota e o segundo em diversos batalhões da PM, a maioria na zona leste da capital. Segundo o inquérito, o núcleo de PMs da Rota seria formado por policiais que serviram na Agência de Inteligência e tiveram acesso às informações sigilosas de operações policiais em andamento, principalmente as relacionadas a criminosos do PCC.
Os favorecidos pelo vazamento seriam criminosos delatados pelo empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, assassinado a tiros em 8 de novembro de 2024 no aeroporto internacional de Guarulhos. Entre os beneficiados estavam os narcotraficantes Anselmo Bechelli Santa Fausta (Cara Preta), Cláudio Marcos de Almeida (Django) e Rafael Maeda Pires (Japa), todos mortos, além de Silvio Luiz Ferreira (Cebola), foragido, e Marcos Roberto de Almeida (Tuta), capturado na Bolívia em maio de 2025.
Dois dos mortos eram acionistas da empresa de ônibus UPBus, da zona leste, investigada por ligação com o PCC. Cara Preta foi morto em dezembro de 2021 no Tatuapé. Gritzbach foi acusado de ser o mandante do assassinato dele. Django morreu na guerra interna da organização.
As investigações contra os PMs do núcleo da Rota tiveram início 23 dias antes da morte de Gritzbach e se intensificaram a partir de 8 de novembro, quando ele foi assassinado por três policiais militares a mando do PCC. Os trabalhos investigativos não avançaram. Por determinação da Justiça Militar, um novo IPM foi instaurado com sete PMs que atuaram no setor de inteligência da Rota como alvo. Um deles, um sargento, está preso.





Não entendi: como é que souberam que o PCC pagou esses R$ 5 milhões?