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Desembargadora que recebe R$ 91 mil compara corte de penduricalhos a escravidão

A desembargadora Eva do Amaral Coelho

Data: 21 de abril de 2026

Uma desembargadora do Pará que recebeu salário líquido de R$ 91 mil em março (o equivalente a 56 salários mínimos) decidiu desabafar publicamente sobre o que considera uma injustiça histórica: o STF limitou em março os penduricalhos que magistrados recebem por todo o país. Eva do Amaral Coelho, com 73 anos e na carreira desde a década de 1980, não apenas reclamou da medida durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará em 9 de abril. Ela foi além e comparou a situação a um regime de escravidão.

“Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse ela aos colegas, pedindo desculpas pelo que chamou de “desabafo sobre uma situação muito triste”.

Vamos lembrar a definição de trabalho análogo à escravidão previsto na lei, algo que a senhora desembargadora deveria conhecer profundamente. O artigo 149 do Código Penal Brasileiro explica que o crime se configura não só pela pela restrição de liberdade, mas também quando o trabalhador é submetido a condições degradantes ou jornadas exaustivas que violem sua dignidade. Entram nessa caracterização trabalhos forçados, jornadas exaustivas, condições degradantes, restrição de locomoção por dívida e manter vigilância ostensiva no local de trabalho.

O discurso de Eva, inominável em um país com tanta desigualdade social, revela uma narrativa que circula entre magistrados: a de que são vítimas de uma campanha de difamação. Segundo ela, juízes e desembargadores passaram de “cidadãos que zelam pela proteção dos direitos para vilões da história”. Ela foi direto: “Nós somos os bandidos agora”. A magistrada também reclamou que narrativas foram criadas a ponto de um juiz ser visto como alguém sem escrúpulos, que pretende “ganhar muito sem fazer nada”.

O tom de Eva é o de quem se sente incompreendido. Ela pediu que parte da população vivesse o dia a dia de um juiz ou desembargador para entender “como é que a gente trabalha. Enormes horas extras, sacrificando fim de semana”. A desembargadora vive em um Brasil paralelo. No mundo real, onde mais de um terço dos trabalhadores do país recebe até um salário mínimo, a vida da maioria da população brasileira é infinitamente mais dura, passando horas em um sistema público de transporte falido e com um salário e qualidade de vidas INFINITAMENTE inferiores à situação dela.

Em março, Eva recebeu R$ 91,2 mil em valores líquidos, segundo a folha de pagamento divulgada pelo TJ-PA. Ou seja, a desembargadora que recebe um salário 56 vezes maior que mais de um terço dos trabalhadores brasileiros se sente injustiçada e diz que seus colegas estão quase vivendo em sistema de escravidão. O que acontece com o resto da população, então?

A desembargadora também criticou duramente a expressão “penduricalho”, chamando-a de “chula e vagabunda”. Segundo ela, essa palavra foi “jogada em cima da magistratura” e hoje a categoria vive “com uma tensão enorme”. Eva citou colegas que já estariam com dificuldade para pagar contas, sugerindo que o corte de verbas extras está afetando o padrão de vida dos magistrados. Novamente aqui,

Tenho uma ideia: Que tal ela viver um dia na pele de quem ganha R$ 1.621 ou que tal ela viver um dia na pele dos 2.772 trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no Brasil em 2025?

O desafio está lançado, desembargadora!

2 comentários para “Desembargadora que recebe R$ 91 mil compara corte de penduricalhos a escravidão”

  1. Tinha que ser expulsa, ser desonerada, responder processo ou ser internada, imagina a capacidade dela de julgar processos complexos….

  2. O pecado original dessa Eva é a sua completa falta de visão da realidade que a cerca.
    Como uma juíza não tem ao menos o bom senso de guardar para si esses sentimentos descabidos? Como pode vir a público declarar sem pudor a sua falta de empatia?
    Com mais de R$90 mil mensais, reclamar de falta de dinheiro para remédios indica que, no mínimo, é perdulária.
    Com esse perfil, não tem condições de julgar ninguém!
    Certamente há profissionais mais dignos para o cargo!

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