De olho nas eleições, trumpistas radicais ganham espaço e aumentam pressão sobre o Brasil
Data: 22 de abril de 2026
A crise no Irã virou a desculpa perfeita para que os radicais dentro do governo Trump retomassem o controle da política externa americana em relação ao Brasil. Segundo apuração de Jamil Chade do ICL Notícias, fontes diplomáticas em Washington revelam que o foco de Trump na guerra abriu espaço para que alas mais ideológicas passassem a ditar o tom sobre o Brasil, deixando de lado qualquer tentativa de normalização com Lula. Clique AQUI e leia o texto de Chade na íntegra
A história é simples: em meados de 2025, Trump havia aberto uma crise comercial contra o Brasil, articulada por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo junto a republicanos radicais. O resultado foi contraproducente. Lula ganhou popularidade e Trump precisou recuar. A partir de setembro, o presidente americano começou a falar em “química” com Lula, telefonemas aconteceram e algumas sanções foram retiradas.
Mas Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, nunca aplaudiu essa aproximação. Seu semblante nos encontros era revelador do incômodo. Quando a guerra no Irã começou em fevereiro, os interlocutores que defendiam uma relação madura com o Brasil foram sugados para a crise no Oriente Médio. E a ala que lutava contra qualquer normalização voltou a ocupar o espaço.
A agenda positiva entre os dois países começou a congelar. O Departamento de Estado passou a apresentar propostas vagas, sem compromissos reais. Darren Beattie, o novo enviado de Trump ao Brasil e porta-voz do segmento mais ideológico, solicitou um visto mentindo sobre sua intenção de visita. Brasília negou. Depois vieram os alertas sobre declarar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas, uma medida que ameaçaria a soberania brasileira ao permitir ataques militares americanos contra o país.
O Brasil recusou participar de uma aliança para garantir terras raras aos EUA. Semanas depois, Goiás assinou acordo com o Departamento de Estado para mapear reservas na região. A única mineradora brasileira de terras raras foi comprada por empresa americana que havia recebido injeção de recursos do governo Trump.
Na semana passada, Trump anunciou a expulsão de Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal em Miami que atuou na prisão de Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin foragido nos EUA. A alegação foi de que Ivo tentou convencer autoridades americanas que o caso era de deportação, não extradição. Teria sido Beattie quem liderou a pressão para soltar Ramagem e revogar o visto do delegado. Sua revanche.
O governo Lula cobra explicações e já considera expulsar um funcionário americano em reciprocidade. Diplomatas apontam que é bem provável que essa decisão seja tomada. Enquanto os desentendimentos se acumulam, a chance de Lula visitar a Casa Branca fica cada vez mais distante.
As pesquisas sobre a eleição brasileira empolgam Washington, que considera o destino político do país fundamental para sua estratégia na América Latina. Flávio Bolsonaro seria o parceiro ideal. Mas Trump é um péssimo cabo-eleitoral. Quando atacou o Brasil publicamente em 2025, Lula ganhou votos. A ordem agora é promover ingerência mais sofisticada, sem presença explícita do presidente. De muitas formas, segundo um experiente embaixador brasileiro apurado por Chade, essa ingerência já começou.




