Flávio quer congelar aposentadorias e educação enquanto promete privatizar tudo
Data: 23 de abril de 2026
A equipe econômica de Flávio Bolsonaro trabalha em silêncio num plano que promete economia de dois pontos do PIB, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. E isso seria às custas de quem depende de aposentadorias, saúde pública e educação. Ou seja, às custas do povo. Nada de anúncio em praça pública, portanto.
O pré-candidato à Presidência quer desvinculação de despesas com saúde do mínimo constitucional de 15% da receita corrente líquida. Na educação, o mesmo: tirar o vínculo dos atuais 18% da receita líquida de impostos. Aposentadorias e BPC (Benefício de Prestação Continuada) receberiam apenas correção pela inflação, sem ganho real. Tudo isso exigiria emendas constitucionais, claro.
A lógica é conhecida: investidores ficariam felizes com sinais de austeridade. O mercado poderia exigir juros menores para financiar o Tesouro na expectativa de estabilização da dívida. Meia solução para problema que especialistas consideram exigir quatro pontos do PIB de ajuste.
Flávio não fala abertamente sobre isso. Um anúncio programado para março foi cancelado. A razão é simples: o PT teria munição política de ouro. Perdas para aposentados, redução de verbas para saúde e educação. Com Flávio empatado com Lula num eventual segundo turno segundo o Datafolha, a campanha prefere não dar esse presente ao adversário.
Enquanto isso, o senador fluminense promete privatizar 95% das estatais e fala em “tesouraço” para equilibrar as contas. Rogério Marinho, coordenador de sua pré-campanha, já disse que o modelo econômico atual está “estourando” e que reformas da Previdência e trabalhista serão “revisitadas”.
Os números mostram por que a discrição. A desindexação de aposentadorias e BPC do aumento real do salário mínimo economizaria R$ 1,1 trilhão em dez anos, segundo o Centro de Debate de Políticas Públicas. No primeiro ano, seriam apenas R$ 15 bilhões. Em 2035, R$ 238,5 bilhões. Saúde e educação renderiam R$ 800 bilhões no mesmo período.
Dos mais de 41 milhões de aposentadorias e benefícios assistenciais pagos pelo INSS, 70% seguem o piso. Congelar ganhos reais significa que a população idosa e pessoas com deficiência perderiam poder de compra gradualmente. Educação e saúde enfrentariam compressão de recursos enquanto a população envelhece e demandas aumentam.
O dilema é real. Ajustes fiscais são necessários. A questão é quem paga a conta. O plano de Flávio coloca o peso sobre quem menos pode absorver: aposentados, crianças em escolas públicas, pacientes do SUS. Enquanto promete privatizar 95% das estatais, ou seja, transferir patrimônio público para investidores privados.
A campanha prefere não falar disso abertamente. Investidores ficariam satisfeitos. Eleitores, certamente não.





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