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Barbárie: Governo Trump autoriza volta de pelotão de fuzilamento nos EUA

Donald Trump

Data: 24 de abril de 2026

O governo Trump anunciou nesta sexta-feira a expansão dos métodos de execução em casos federais americanos. Além da injeção letal, agora pelotões de fuzilamento, eletrocussão e gás letal entram no cardápio de punições máximas. A declaração do procurador-geral interino Todd Blanche não deixa dúvidas sobre o tom: a administração anterior teria “descumprido seu dever” ao não solicitar execuções contra “criminosos mais perigosos”.

Aqui começa o problema. O governo federal não pode simplesmente decretar novos métodos e aplicá-los em qualquer lugar. A lei americana funciona assim: execuções federais só acontecem em estados que permitem pena capital e seguindo os protocolos daquele estado específico. Durante anos, as execuções federais ocorreram em Indiana, que autoriza apenas injeção letal. Pronto. Fim da história para a maioria dos métodos anunciados.

Cinco estados permitem pelotão de fuzilamento, mas apenas Carolina do Sul usou esse método recentemente. Nove autorizam eletrocussão, sem aplicações desde 2020. Quanto ao gás nitrogênio, apenas dois estados o utilizaram, e especialistas das Nações Unidas já denunciaram o método como cruel e desumano. A realidade é que Trump pode anunciar o que quiser, mas a execução depende de onde o condenado está preso e do que aquele estado permite.

Trump já havia encerrado uma pausa de 17 anos em execuções federais durante seu primeiro mandato. Entre 2020 e 2021, houve 13 execuções por injeção letal, mais do que sob qualquer presidente americano em 120 anos. No primeiro dia de seu segundo mandato, pediu para ampliar o uso da pena de morte para “crimes mais vis”. Agora tenta expandir os métodos.

A ironia é que enquanto Trump anuncia novos caminhos para a morte, 23 dos 50 estados americanos aboliram completamente a pena capital. Califórnia, Oregon e Pensilvânia mantêm moratórias. Antes de deixar a Casa Branca em janeiro de 2025, o presidente democrata Joe Biden comutou as sentenças de morte de 37 dos 40 detentos condenados à pena capital em nível federal. Os três cujas sentenças permaneceram incluem o autor do atentado à maratona de Boston de 2013, um homem que assassinou 11 fiéis judeus em 2018 e um supremacista branco que matou nove fiéis negros em uma igreja em 2015.

O anúncio de Trump é mais um exercício de retórica do que de poder real. A Constituição americana e a estrutura federalista do país limitam o que Washington pode fazer. Mesmo com toda a vontade política, o governo federal segue preso às regras estaduais.

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