Portal do Ricardo Mello

PCC tenta infiltração em prefeituras de São Paulo com banco suspeito e ex-vereador preso

Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

Data: 28 de abril de 2026

A Polícia Civil de São Paulo desmantelou uma estratégia sofisticada de infiltração do crime organizado nas administrações municipais. A operação desta segunda-feira prendeu quatro pessoas e vasculhou 22 endereços em dez cidades, bloqueando mais de R$ 500 milhões em contas bancárias e bens.

O alvo principal era um esquema engenhoso. O PCC criou um núcleo político dentro da facção para lançar candidatos nas eleições municipais de 2024. A ideia era colocar pessoas dentro das prefeituras que pudessem ajudar a organização criminosa nos bastidores.

Segundo Fabrício Intelizano, delegado da Delegacia de Entorpecentes de Mogi das Cruzes, a rede funcionava assim: pessoas posicionadas no secretariado e na administração dos municípios usavam sua influência para lavagem de dinheiro dentro das máquinas públicas.

Entre os presos está Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André eleito suplente pelo PSD. Ele é suspeito de ligação com um chefe do PCC e teria facilitado uma autorização curiosa em março de 2022. Na época, conseguiu liberar o pouso de um helicóptero no Palácio dos Bandeirantes alegando que se tratava de uma delegação japonesa. Na verdade, o passeio aéreo levaria alguém a um jogo no Morumbi durante a gestão João Doria.

A operação desdobra investigações anteriores. Em agosto de 2024, a polícia descobriu empresas suspeitas de vínculo com o PCC, incluindo o 4TBank, uma financeira investigada por lavagem de dinheiro e financiamento do tráfico de drogas. Segundo as apurações, João Gabriel de Melo Yamawaki, operador da financeira, era o responsável por lavar dinheiro para a facção. Ele está preso desde março de 2026 por tráfico de drogas.

O delegado Intelizano explica que em um município específico os criminosos queriam colocar o banco para receber tributos públicos. Um passo a mais na infiltração. A investigação agora procura verificar se a infiltração de fato ocorreu, até onde chegou e como proteger o Estado dessa presença do crime organizado nas gestões públicas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quinze − dois =

Notícias relacionadas