STF coloca no banco dos réus militares que planejaram matar autoridades e derrubar a democracia
Data: 10 de novembro de 2025
A Primeira Turma do STF começa a julgar, nesta terça-feira (11/11), dez pessoas que, segundo a Procuradoria-Geral da República, formaram o braço mais violento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Estamos falando do chamado Núcleo 3 – nove militares de alta patente e um agente da Polícia Federal que, de acordo com a denúncia, não se contentaram apenas em questionar o resultado das eleições. Eles foram além: planejaram assassinar autoridades e usar a força para derrubar o governo democraticamente eleito.
Quem são os acusados de tramar contra a democracia
A lista dos réus lê como um catálogo de patentes militares que deveria defender a Constituição, mas que aparentemente decidiu rasgar o juramento feito à pátria:
- Bernardo Romão Corrêa Netto (coronel do Exército)
- Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general da reserva)
- Fabrício Moreira de Bastos (coronel do Exército)
- Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel do Exército)
- Márcio Nunes de Resende Jr. (coronel do Exército)
- Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel do Exército)
- Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel do Exército)
- Ronald Ferreira de Araújo Jr. (tenente-coronel do Exército)
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel do Exército)
- Wladimir Matos Soares (agente da Polícia Federal)
As acusações que podem mandar militares para a cadeia
A Procuradoria não está brincando em serviço. Os crimes imputados a esse grupo são dos mais graves que existem no ordenamento jurídico brasileiro:
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Tentativa de golpe de Estado
- Participação em organização criminosa armada
- Dano qualificado
- Deterioração de patrimônio tombado
Segundo a denúncia da PGR, esses militares formaram o núcleo responsável pelas “ações mais severas e violentas” de toda a organização golpista. Traduzindo: eram eles que colocariam a mão na massa quando chegasse a hora de partir para a violência física.
Como funciona o julgamento
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, conduzirá todo o processo. O julgamento será transmitido ao vivo pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube – transparência total para que o povo brasileiro acompanhe cada palavra.
A dinâmica é clara: primeiro, Moraes apresenta o relatório do caso. Depois, o procurador-geral Paulo Gonet expõe a acusação. Em seguida, cada defesa terá até uma hora para tentar convencer os ministros da inocência de seus clientes.
Na sequência, vem a parte decisiva: os votos. Moraes vota primeiro, seguido por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Maioria simples decide o destino de cada réu.
O quebra-cabeça do golpe que o STF está montando
Este julgamento é apenas uma peça de um quebra-cabeças muito maior. O STF dividiu toda a operação golpista em cinco núcleos:
- Núcleo 1: Jair Bolsonaro e sete ex-integrantes do governo (já julgados e condenados)
- Núcleo 2: Seis réus acusados de espalhar fake news (julgamento marcado para 9 de dezembro)
- Núcleo 3: Os dez militares e o policial federal que estão sendo julgados agora
- Núcleo 4: Sete réus já condenados
- Núcleo 5: Apenas o empresário Paulo Figueiredo (denúncia ainda não apreciada)
Por que este julgamento importa para o futuro do brasil
Não se trata apenas de punir crimes do passado. O que está em jogo é o futuro da democracia brasileira. Se militares de alta patente podem conspirar para assassinar autoridades e derrubar governos eleitos sem consequências, que tipo de precedente isso estabelece?
O julgamento deste núcleo é particularmente simbólico porque expõe como setores das Forças Armadas – instituições que deveriam ser apartidárias e defensoras da Constituição – se envolveram diretamente na tentativa de golpe.
A conta que pode chegar para quem atentou contra a democracia
Com 15 réus já condenados nos outros núcleos, o STF demonstra que não há blindagem para quem atenta contra o Estado Democrático de Direito. As penas podem ser pesadas, especialmente considerando a gravidade dos crimes imputados.
O Brasil observa. A democracia brasileira, testada nos últimos anos, agora mostra que tem anticorpos para se defender. O julgamento destes dez réus não é apenas sobre o passado – é sobre que tipo de país queremos ser daqui para frente.
O recado está sendo dado: golpe tem consequências. E elas estão chegando.




