Lula mata a taxa das blusinhas e abre porteira para produtos chineses mais baratos
Data: 13 de maio de 2026
O governo federal enterrou a chamada taxa das blusinhas nesta terça-feira (13). Com uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aquele incômodo imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 deixou de existir.
A decisão é uma vitória retumbante para quem gasta seus preciosos reais em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, é categórico: o efeito deve ser imediato. Produtos importados, muitos vindos da China, ficarão significativamente mais baratos sem aquela incidência tributária. Some-se a isso a valorização do real frente ao dólar, que fechou a R$ 4,89 nesta terça-feira, no menor nível em mais de dois anos, acumulando queda de 10,81% em 2026. A conta fica ainda mais interessante para o bolso do consumidor.
Jackson Campos, especialista em comércio exterior, explica o que muda na prática. Antes, uma compra de US$ 50 chegava a custar R$ 354 após somar o imposto de importação de 20% e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Sem aquele imposto federal, o mesmo produto sai por cerca de R$ 295. A redução é real e deve acontecer já nas encomendas que chegarem ao Brasil nesta quarta-feira, conforme destaca Campos.
Enquanto consumidores comemoram o bolso mais folgado, a indústria têxtil brasileira entra em pânico. André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, não deixa dúvida: embora a medida beneficie os consumidores, ela prejudica empresas brasileiras. Aquele imposto criado em 2024 funcionava como uma proteção para o setor nacional, especialmente a moda, dificultando a entrada de produtos importados baratos. Galhardo lembra que países da União Europeia e os Estados Unidos também passaram a taxar remessas de pequeno valor recentemente, justamente para conter aquela enxurrada de produtos asiáticos baratos.
Há também a questão das contas públicas. Em 2025, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto. Nos quatro primeiros meses deste ano, já somava R$ 1,78 bilhão, superando o valor do mesmo período de 2025. Aquele dinheiro ajudava a equipe econômica a tentar atingir a meta fiscal de um superávit de 0,25% do PIB. Agora, com esse dinheiro indo embora, as contas públicas ficam ainda mais apertadas em um governo que, conforme apontam os números, deve encerrar o terceiro mandato de Lula no vermelho.




