Polícia Federal diz que governo do Rio sob Cláudio Castro serviu interesses da Refit
Data: 15 de maio de 2026
A Polícia Federal apresentou uma acusação contundente contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro: direcionamento deliberado da máquina pública estadual para favorecer o conglomerado Refit, de propriedade de Ricardo Magro. Conforme relatado na decisão do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação desta sexta-feira, os investigadores descrevem o caso como “a mais latente e exitosa frente de espoliação do Estado do Rio de Janeiro pela criminalidade organizada nos últimos anos”.
O esquema funcionava em múltiplos níveis. A PF afirma que “sob a batuta” de Castro, órgãos como Secretaria da Fazenda, Secretaria do Meio Ambiente, Instituto Estadual do Meio Ambiente, Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria da Polícia Civil trabalharam em coordenação para beneficiar a refinaria. Enquanto participava de reuniões contra o crime organizado, Castro comparecia a eventos patrocinados pela Refit e se encontrava com líderes de organizações criminosas, segundo os investigadores.
A corporação cita benefícios concretos concedidos à empresa. Uma legislação assinada por Castro em outubro de 2025, apelidada informalmente de “Lei Ricardo Magro”, instituiu o Programa Especial de Parcelamento de Créditos Tributários e Não Tributários. As condições estabelecidas, conforme apontam os policiais, se amoldavam “perfeitamente aos interesses do conglomerado”. Castro também teria “encomendado” parecer da procuradoria para desinterditar a refinaria de Manguinhos após sua interdição em setembro de 2025.
Outro movimento questionado pela PF: o Estado ofereceu um refinanciamento sob medida à Refit que poderia reduzir sua dívida em até 95%. Enquanto isso, a PF ressalta, a empresa figura entre os maiores devedores contumazes do país. O Instituto Estadual do Meio Ambiente aprovou licenças operacionais “sem cumprimento de condicionantes de segurança”, e a Procuradoria-Geral do Estado agiu para que a Refit retomasse funcionamento após a interdição, mesmo diante de “graves denúncias”.
Uma viagem a Nova York também chamou atenção dos investigadores. Castro sentou à mesa com Magro e seus secretários, e aproveitou a ida aos Estados Unidos para buscar apoio internacional na classificação de facções cariocas como narcoterroristas. Conforme apontado pela PF, o ex-governador comportava-se “como se Chefe de Estado fosse”.
A operação desta sexta-feira, batizada Operação Sem Refino, cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública. Ricardo Magro, foragido que vive em Miami desde a década passada, é alvo de mandado de prisão preventiva e teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A Justiça bloqueou aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e suspendeu as atividades econômicas das empresas investigadas.
Também foram alvo da operação o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário de Fazenda Juliano Pasqual, o ex-procurador Renan Saad e um policial civil. Foram apreendidos mais de R$ 700 mil em espécie, parte encontrada na casa do policial. Castro estava em casa quando os agentes cumpriram o mandado; seu advogado informou que o ex-governador “colaborou” e que “nada de relevante foi apreendido”.
A defesa de Castro afirma que todos os procedimentos seguiram “critérios técnicos e legais” e destaca que sua gestão conseguiu que a Refit pagasse aproximadamente R$ 1 bilhão ao Estado. A empresa, por sua vez, nega irregularidades, argumenta que herdou passivos de administrações anteriores e afirma que as operações “prejudicam a concorrência no setor”. Magro continua negando envolvimento em fraudes, declarando-se perseguido por concorrentes.




