Justiça mantém preso turista argentino acusado de racismo contra criança em trem de Minas Gerais

Data: 11 de junho de 2026
A Justiça de Minas Gerais decidiu manter na cadeia o turista argentino Eduardo Ignacio, 63 anos, acusado de fotografar uma criança negra em um trem e compartilhar imagens com comentários racistas por aplicativo. O juiz Renan Bueno Ribeiro considerou que soltá-lo representaria risco de fuga e possível comprometimento da investigação.
A defesa de Ignacio tenta contornar a prisão por um ângulo interessante: argumenta que o conteúdo do celular foi acessado sem autorização judicial, o que tornaria as provas ilícitas. O advogado Ciro Chagas vai além e sustenta que as mensagens foram trocadas em âmbito privado, nunca chegaram à criança ou sua família e só vazaram por acaso. Segundo ele, injúria exige que a ofensa chegue ao conhecimento da vítima por quem a profere, e isso não teria ocorrido.
Chagas também aponta que seu cliente entrou regularmente no país, se identificou e informou seu itinerário. Para ele, a simples condição de estrangeiro não justifica presumir fuga. Propõe medidas alternativas como entrega do passaporte e proibição de sair do Brasil. Há ainda relatos de que Ignacio foi agredido dentro do presídio, detalhe que a defesa considera relevante para a análise da prisão.
Do outro lado, o advogado da família da vítima, Gilberto Silva, comemora a decisão. Para ele, é um passo importante rumo à justiça e um recado claro a outros turistas de que o Brasil tem lei antirracista e a cumpre. A criança está em tratamento psicológico e apresentou alterações de humor e sono que afetam toda a família. Silva pretende pedir indenização por danos morais tanto ao acusado quanto à companhia de trens, que segundo ele não ofereceu assistência adequada.
O caso aconteceu em maio durante um passeio de Maria Fumaça entre Tiradentes e São João del Rei. Ignacio fotografou o menino e enviou mensagens em espanhol comentando sobre a cor da pele da criança. Em um trecho, insinuou que poderia levá-lo para ser escravo. A mãe da criança, de 32 anos, natural de Nova Iguaçu, foi avisada por passageiros, confrontou o homem e conseguiu acessar o celular. Funcionários do trem e passageiros contiveram Ignacio até a chegada da Polícia Militar, que o prendeu em flagrante. A Polícia Civil ratificou a prisão pelo crime de injúria racial.







