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A família que se destrói sozinha: como os filhos de Bolsonaro levaram o pai à prisão

Data: 22 de novembro de 2025

O plano infalível de fuga do Cebolinha deu ruim mais uma vez. Jair Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado (22) após tentar violar sua tornozeleira eletrônica, num plano malfadado que, ao que tudo indica, contava com uma cortina de fumaça montada pelo seu próprio filho, o senador Flávio Bolsonaro.

O roteiro, que parece saído de uma tragicomédia, é a cara do bolsonarismo: quando o cerco da Justiça se fecha, a primeira reação é tentar escapar.

Tudo começou na sexta-feira, quando Flávio convocou, em suas redes sociais, uma “vigília pela saúde de Bolsonaro e pela liberdade do Brasil” para a noite de sábado, convenientemente em frente ao condomínio do pai. O apelo, disfarçado de ato de fé, era claro: “Você vai lutar pelo seu país ou assistir tudo do celular aí do sofá da sua casa?”. A Polícia Federal, no entanto, não viu oração, mas sim a repetição de um modus operandi já conhecido: usar apoiadores como massa de manobra para criar o caos e obstruir a Justiça.

Exatamente às 0h08min de sábado, o Centro de Monitoração do Distrito Federal registrou a violação do monitoramento eletrônico de Bolsonaro. O alerta, somado à convocação da vigília, embasou a concessão da prisão preventiva do ex-presidente por risco de fuga e garantia da ordem pública.

A matemática é simples: enquanto Flávio criava a distração do lado de fora, o pai tentaria se livrar do monitoramento do lado de dentro, possivelmente para uma corrida até alguma embaixada amiga. O condomínio fica a meros 15 minutos de carro do Setor de Embaixadas.
Este ato desesperado não é um ponto fora da curva. É o padrão. A própria PF lembrou que outro condenado no mesmo processo, Alexandre Ramagem, já fugiu do país e hoje se encontra tranquilamente em Miami. A fuga é o procedimento padrão quando a Justiça fecha o cerco contra os bandidos da extrema-direita.

Ironicamente, foram os próprios filhos que pavimentaram o caminho do pai para a prisão. As medidas cautelares que levaram à tornozeleira e à prisão domiciliar foram impostas em outubro pelo ministro Alexandre de Moraes. O motivo? Jair e Eduardo Bolsonaro estavam atuando junto a autoridades americanas para impor sanções ao Brasil, numa clara tentativa de coagir o STF e atentar contra a soberania nacional. Nas palavras de Moraes, uma “clara finalidade de coagir essa Corte”.

Ao tentar sabotar a Justiça brasileira buscando auxílio estrangeiro, Eduardo ajudou a colocar a tornozeleira no pai. Ao convocar uma vigília para criar o caos, Flávio ajudou a transformá-la em prisão na sede da PF. Eles construíram a cela e, agora, entregaram a chave.

A prisão de Jair Bolsonaro não é uma surpresa, mas a consequência inevitável de quem sempre flertou com a ilegalidade, o golpismo e desprezou as instituições. É o fim da linha para quem acreditava que poderia operar acima da lei, usando a fé e os seguidores como escudo. A vigília convocada para “lutar pelo país” acabou sendo o estopim para a prisão do seu maior protagonista. A noite que deveria ser de oração entrou para a história como a noite da fuga fracassada.

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