Páginas oficiais de Flávio Bolsonaro incluem pós-graduação que ele não fez e campanha culpa a Wikipédia

As páginas oficiais do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, informam que ele tem pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ. O problema é que a própria universidade diz que não tem nenhum registro de que ele estudou lá. Segundo reportagem do g1, assinada por Victória Cócolo, publicada nesta terça-feira (12), a informação aparece tanto no portal do Senado quanto no site da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A página do Senado com o dado é datada de 18 de janeiro de 2019, quando o parlamentar assumiu o mandato.

A campanha de Flávio foi procurada e reagiu com uma explicação no mínimo curiosa. Em nota, a assessoria afirmou que “eventuais registros diferentes desses tratam-se de erros ou equívocos, possivelmente extraídos de páginas como a Wikipédia”. Ou seja, a equipe oficial do candidato à Presidência admite que colheu informação de uma enciclopédia colaborativa que qualquer pessoa pode editar, colocou em páginas institucionais do Senado e da Alerj, e deixou rolar por sete anos sem ninguém perceber. A equipe disse que já pediu as correções junto à plataforma.

Para tentar fechar o buraco, a assessoria enviou ao g1 diplomas digitalizados. Os documentos mostram que Flávio se formou em Direito pela Universidade Cândido Mendes em 2006, concluiu uma especialização em Políticas Públicas pelo IUPERJ em 2012 e obteve um MBA em Empreendedorismo pela FGV em 2015. Até aí, tudo certo. O detalhe é que nenhum documento comprova a tal pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ, aquela mesma que continua aparecendo em páginas oficiais do Estado brasileiro.

Flávio Bolsonaro tem 45 anos, trabalha como advogado e começou na política aos 21, quando se elegeu deputado estadual no Rio de Janeiro pela primeira vez, em 2002. Uma trajetória longa no serviço público, portanto, com tempo mais que suficiente para revisar o próprio currículo institucional.