STF torna Eduardo Bolsonaro réu por coação: deputado articulou sanções nos EUA contra ministros
Data: 26 de novembro de 2025
A Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Eduardo Bolsonaro. O filho “03” de Jair Bolsonaro agora é oficialmente réu pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo a PGR, o deputado federal pelo PL de São Paulo orquestrou uma operação nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras através de sanções econômicas. O timing não poderia ser mais suspeito: tudo aconteceu às vésperas do julgamento que condenou seu pai por tentativa de golpe de Estado.
A acusação é clara: Eduardo usou sua posição e contatos internacionais para criar um ambiente de intimidação contra os ministros do STF. Não estamos falando de um parlamentar exercendo seu direito de expressão, mas de alguém que cruzou fronteiras para tentar interferir no sistema judiciário brasileiro.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, foi direto ao ponto em seu voto. Para ele, a conduta de Eduardo “extrapolou o limite da crítica política” e configurou uma “grave ameaça” ao tribunal. O ministro destacou que o deputado buscou criar um “ambiente de intimidação” sobre os responsáveis pelo julgamento de Jair Bolsonaro.
Essa não é a primeira vez que Moraes se posiciona firmemente contra tentativas de pressão externa ao Judiciário. O ministro tem sido um dos principais alvos dos ataques bolsonaristas justamente por sua postura firme na defesa das instituições democráticas.
A defesa frágil de Eduardo
Como Eduardo não apresentou resposta formal à acusação, a Defensoria Pública da União assumiu sua defesa. A estratégia da DPU foi tentar minimizar as ações do deputado, classificando-as como simples “declarações públicas sobre política externa e críticas a decisões judiciais”.
Seguindo o manual bolsonarista, Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo Filho, também denunciado no mesmo caso, se apresentaram como vítimas de “perseguição política”. Em nota conjunta divulgada em setembro, eles alegaram que buscavam apenas “corrigir abusos e injustiças”.
Esse discurso vitimista é uma constante no bolsonarismo. Sempre que são confrontados com as consequências de seus atos, se apresentam como perseguidos políticos, ignorando que estão sendo investigados por ações concretas que ameaçam a democracia brasileira.
O que vem pela frente
Com o recebimento da denúncia, o STF abre oficialmente uma ação penal contra Eduardo Bolsonaro. A próxima fase envolverá coleta de depoimentos, diligências e apresentação de provas. Só depois de todo esse processo é que haverá uma decisão final, seja ela absolvição ou condenação.
Vale destacar que o STF decidiu desmembrar o caso de Paulo Figueiredo Filho, que será analisado separadamente. Segundo a PGR, o blogueiro atuava de forma coordenada com Eduardo na divulgação e promoção das sanções nos Estados Unidos.




