PF investiga ligação de Castro com proteção ao Comando Vermelho na Alerj
Data: 4 de dezembro de 2025
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a Polícia Federal está de olho em uma jogada do governador Cláudio Castro que pode ter salvado a pele de um deputado ligado ao Comando Vermelho.
A história começa no dia 3 de setembro, quando TH Joias foi parar atrás das grades. O ex-deputado, cujo nome verdadeiro é Thiego Raimundo dos Santos Silva, estava sendo investigado por lavar dinheiro, comprar armas e drones, além de manter contatos suspeitos com os chefes da facção criminosa.
No mesmo dia da prisão, Castro fez uma manobra que chamou atenção dos investigadores. O governador exonerou às pressas Rafael Picciani, então secretário de Esporte e Lazer, forçando até mesmo a publicação de uma edição extraordinária do Diário Oficial.
A mexida no tabuleiro político não foi por acaso. TH Joias era suplente de deputado e, com a volta de Picciani para a Assembleia, perderia automaticamente sua cadeira. Sem mandato, não haveria necessidade de votar sobre sua prisão na Casa.
Fontes da investigação explicaram ao Estadão que a estratégia visava evitar um problema político espinhoso. A Alerj teria 45 dias para decidir se mantinha ou relaxava a prisão do deputado. Qualquer decisão seria complicada.
Manter TH Joias preso significaria romper com o braço do Comando Vermelho dentro do Legislativo, mandando um recado nada amigável para os chefes do tráfico. Soltar um cara que já tinha passagem por tráfico e agora estava sendo investigado por ligações diretas com a cúpula do CV seria uma medida impopular demais.
A solução encontrada foi tirar TH Joias do jogo antes mesmo que a partida começasse. Com a volta de Picciani, o problema simplesmente desapareceu do radar político.
O governo do Rio se defendeu dizendo que o retorno de Picciani estava programado para que ele participasse das votações de projetos voltados ao fortalecimento da segurança pública. A coincidência de datas, porém, levantou suspeitas entre os investigadores.
Rafael Picciani é filho de Jorge Picciani, falecido político que foi preso quando presidia a Alerj. O atual presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, também foi detido recentemente pela PF, mostrando que os tentáculos da investigação se espalham por diferentes esferas do poder fluminense.
A operação da PF revela como o crime organizado conseguiu se infiltrar nas estruturas do Estado do Rio. O despacho de Castro agora serve como a primeira pista concreta do envolvimento do governador nessa teia de proteção ao Comando Vermelho dentro do Palácio Guanabara.




