Trump ressuscita Doutrina Monroe e mira na América Latina como quintal dos EUA
Data: 5 de dezembro de 2025
O governo Trump acaba de deixar bem claro qual vai ser o foco da política externa americana pelos próximos anos. A nova Estratégia de Segurança Nacional, publicada nesta sexta-feira, mostra que os Estados Unidos pretendem dar uma guinada e concentrar suas forças militares bem mais perto de casa: na América Latina.
A mudança não é só uma questão de geografia. Trump está formalizando algo que já vinha sinalizando desde que voltou ao poder: os americanos querem reduzir seu papel de “polícia do mundo” e passar algumas responsabilidades para os aliados. Só que, ao mesmo tempo, não pretendem abrir mão do controle sobre o que consideram seu quintal.
O documento é bem direto ao ressuscitar a famosa Doutrina Monroe, aquela ideia do século 19 de que “a América é para os americanos”. Na prática, isso significa que qualquer país de fora do continente que tente colocar o pé na região vai encontrar resistência. E quando falam “países de fora”, todos sabem que estão falando principalmente da China.
A estratégia prevê três frentes principais de atuação. Primeiro, mais navios da Guarda Costeira e da Marinha controlando as rotas marítimas para barrar imigrantes e traficantes. Segundo, ação direta contra cartéis de drogas, incluindo o uso de “força letal” quando necessário. Terceiro, garantir acesso a locais estratégicos na região.
O timing da publicação não é coincidência. Acontece justamente quando há uma mobilização militar sem precedentes no Caribe e as tensões com a Venezuela de Nicolás Maduro estão no auge. A presença de porta-aviões americanos na região deixa claro que a coisa é séria.
Para os países latino-americanos, especialmente o Brasil, a estratégia traz um dilema interessante. O documento reconhece que a influência de outros países na região “será difícil de reverter”, mas aposta que muitas dessas relações são mais comerciais do que ideológicas. Uma forma elegante de dizer que entendem que o Brasil precisa fazer negócios com a China, mas esperam que isso não se transforme em alinhamento político.
A nova abordagem americana coloca a América Latina numa posição delicada. De um lado, a pressão crescente de Washington para reduzir laços com Pequim. Do outro, a realidade econômica de que a China se tornou um parceiro comercial indispensável para muitos países da região. Trump parece apostar que, na hora do aperto, a proximidade geográfica e a influência histórica vão pesar mais que os negócios.
O que fica claro é que os tempos de uma América Latina com mais autonomia para escolher seus parceiros podem estar chegando ao fim. A volta da Doutrina Monroe em versão 2025 sugere que os Estados Unidos não pretendem mais tolerar a presença crescente de rivais em sua área de influência tradicional.
Com informações do G1




