Frederick Wassef, ex-advogado de Bolsonaro, é condenado por injúria racial
Data: 17 de dezembro de 2025
Olha, gente, tem dias que a Justiça, mesmo devagar, mesmo aos tropeços, nos entrega um roteiro que parece ficção, mas é a mais pura e nojenta realidade brasileira. A notícia é a seguinte: Frederick Wassef, aquele que ficou famoso por ser o advogado de Jair Bolsonaro e por esconder Fabrício Queiroz em sua casa, foi condenado. Condenado por injúria racial. O motivo? Uma pizza que não o agradou. Sim, você leu certo. A arrogância do sujeito é tão grande que, por causa de uma pizza, ele se sentiu no direito de atacar a dignidade de uma trabalhadora com o chorume do racismo.
Em novembro de 2020, numa pizzaria em Brasília, o senhor Wassef, depois de comer, foi ao caixa e disse que a pizza estava “uma merda”. A atendente, cumprindo seu papel, respondeu que só ele havia reclamado. Foi o gatilho para a selvageria. Ele olhou para a mulher, uma trabalhadora, e cuspiu a frase: “Você é uma macaca, você come o que te derem”.
O juiz do caso, Omar Dantas Lima, foi perfeito na sua análise ao dizer que a expressão “macaca” carrega “intenso desprezo e escárnio”. É uma palavra que carrega séculos de dor, de opressão, de desumanização. É o racismo na sua forma mais explícita e criminosa, usado como arma para ferir a alma de alguém.
E aqui a gente precisa conectar os pontos, porque nada disso acontece no vácuo. Wassef não é um cidadão qualquer. Ele era o homem de confiança, o advogado do então presidente da República. Ele fazia parte do círculo íntimo de um poder que flertou abertamente com o autoritarismo, que desprezou minorias, que atacou a imprensa e que tratou trabalhadores como se fossem servos. A atitude de Wassef na pizzaria não é um desvio de caráter individual, é a manifestação mais pura da ideologia que esse grupo político representa: a ideologia da casa-grande, do privilégio, da certeza da impunidade.
A condenação veio: 1 ano e 9 meses de prisão, que foram convertidos em penas alternativas, mais uma multa por danos morais. Ele não vai para a cadeia, e ele ainda pode recorrer. A gente sabe como a Justiça para os ricos funciona no Brasil. Mas não podemos diminuir o peso dessa decisão. É um recado. É a Justiça dizendo que, mesmo para os amigos do poder, a lei existe.
A decisão mostra que as instituições, ainda que lentamente, estão reagindo. E nos ensina que não podemos nunca, jamais, normalizar o absurdo. A luta contra o racismo e contra a arrogância dos poderosos é diária, e cada batalha vencida, por menor que pareça, é um passo na direção de um país minimamente decente.




