Portal do Ricardo Mello

Moro grampeou autoridades usando delatores: PF acha prova documental escondida em gavetas

Data: 18 de dezembro de 2025

A Polícia Federal descobriu que Sergio Moro usou delatores para grampear autoridades que tinham foro privilegiado, gente que ele não podia nem chegar perto legalmente falando. E não estou falando de boato ou fofoca de corredor não, estou falando de documento oficial, despacho assinado pelo próprio punho do então juiz, mandando o delator Tony Garcia tentar gravar “novamente” o presidente do Tribunal de Contas do Paraná porque as gravações anteriores estavam “insatisfatórias para os fins pretendidos”.

Quando você é presidente de Tribunal de Contas ou desembargador do TRF-4, você tem foro privilegiado, que significa que só pode ser investigado com autorização expressa do Superior Tribunal de Justiça. É uma proteção constitucional para evitar que juízes de primeira instância saiam por aí perseguindo autoridades por motivação política. Moro sabia disso perfeitamente, mas decidiu que estava acima da Constituição.

O material que a PF apreendeu inclui 40 minutos de gravação do presidente do TCE-PR, Heinz Herwig, feita em fevereiro de 2005, e cinco meses depois Moro mandou repetir a operação. Tem também registros de escutas de desembargadores do TRF-4, feitas por outro colaborador, o advogado Sérgio Costa. Tudo isso estava escondido nas gavetas da Vara, omitido dos autos oficiais, numa tentativa descarada de esconder as provas do esquema.

E olha que interessante o que aparece nessa gravação… o próprio presidente do TCE fala que “Moro é polícia, é promotor e é juiz”, resumindo perfeitamente o problema: o cara concentrava todos os poderes numa pessoa só, fazia o que bem entendia. O delator Tony Garcia reclama do método: “Tudo o que você fala ele diz que é mentira. Quem cair na mão desse cara está ferrado”.

Nos relatórios de inteligência que nunca foram juntados aos autos, aparecem referências a desembargadores “em situações de foro íntimo”, muitas vezes “expressando temor de terem sido gravados”. Um arquivo tinha o nome de um magistrado com a descrição: “com medo de que as fitas das festas vazassem, contou para a mulher que foi filmado”. Percebe a gravidade? Moro estava usando delatores para criar um dossiê de chantagem contra autoridades que poderiam revisar suas decisões.

A busca e apreensão na Vara foi determinada pelo ministro Dias Toffoli depois de sucessivas solicitações do Supremo por documentos que nunca foram encaminhados, mesmo após Moro deixar a magistratura. O procedimento investiga denúncias de que delatores eram usados para monitorar autoridades fora do alcance legal do então juiz, com objetivo de pressioná-las posteriormente.

Moro nega tudo e diz que as acusações se baseiam em “relatos fantasiosos de criminosos condenados”. Mas agora tem documento oficial, tem despacho assinado por ele, tem gravação de 40 minutos, tem relatórios de inteligência escondidos… difícil chamar isso de fantasia quando a prova está aí.

Essa descoberta expõe algo muito mais profundo sobre o que aconteceu no país nos últimos anos. Não estamos falando apenas de irregularidades processuais, estamos falando de um sistema paralelo de poder que operava à margem da Constituição, usando métodos de Estado policial para intimidar quem pudesse fazer oposição. É o tipo de coisa que acontece em ditaduras, não em democracias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

vinte + sete =

Notícias relacionadas