O futuro de Carla Zambelli: câmara decide se deputada condenada e foragida perde o mandato
Data: 2 de dezembro de 2025
O destino político de Carla Zambelli, deputada federal pelo PL de São Paulo, pode ter um novo capítulo nesta terça-feira. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara marcou para analisar a perda de seu mandato. A situação, vamos combinar, é um tanto quanto peculiar.
A história é a seguinte: Zambelli foi condenada em definitivo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão. O motivo foi a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um esquema que ela teria comandado. Com a condenação finalizada, sem chance de novos recursos, a perda do mandato parlamentar seria o caminho natural.
Acontece que o presidente da câmara, Hugo Motta, resolveu que as coisas não seriam tão diretas. Em vez de simplesmente oficializar a decisão do Supremo, ele enviou o caso para uma análise dos próprios deputados. Primeiro na CCJ e, se passar, para o plenário principal, onde são necessários 257 votos para confirmar a cassação. É a corporação cuidando dos seus.
Enquanto isso, a deputada assiste a tudo de longe. Bem de longe. Carla Zambelli está presa em Roma, na Itália, desde julho. Ela fugiu para o país europeu antes da condenação se tornar definitiva e, por isso, foi parar na lista de difusão vermelha da Interpol. Com cidadania italiana em mãos, ela agora diz que prefere ser julgada pela justiça de lá. A própria justiça italiana, aliás, decidiu mantê-la presa por entender que o risco de uma nova fuga é real.
Em sua defesa, a parlamentar participou de uma audiência por vídeo e trocou acusações com seu antigo parceiro no crime, o hacker Walter Delgatti. Na ocasião, ela o chamou de “mitomaníaco” e até questionou sua saúde mental, uma tática já conhecida.
A votação, se de fato acontecer nesta terça, servirá como um termômetro para medir a disposição do parlamento em lidar com um de seus membros condenado pela mais alta corte do país. Resta saber se os colegas de casa vão estender a mão para a deputada foragida ou se seguirão a decisão judicial que já foi dada.




