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PF analisou apenas 30% de 1 dos 8 celulares apreendidos com Vorcaro

Ficha criminal de Vorcaro

Data: 8 de março de 2026

A Polícia Federal apreendeu três novos celulares com o banqueiro Daniel Vorcaro quando o prendeu em São Paulo na última quarta-feira (4). Com essa apreensão, os investigadores agora possuem oito aparelhos atribuídos ao empresário no caso Master. O problema é que apenas um desses dispositivos começou a ser analisado, e cerca de 30% do conteúdo foi efetivamente examinado. Os outros sete ainda estão lacrados, aguardando perícia.

As informações sobre o avanço das análises foram repassadas à equipe do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal. Investigadores da Polícia Federal e o gabinete do ministro devem se reunir na próxima semana para avaliar o andamento e definir os próximos passos. Entre os peritos, há avaliação de que será necessário ampliar a equipe responsável pela perícia digital, com reforço de analistas e técnicos, para acelerar a extração e análise do material armazenado nos aparelhos.

A prisão de Vorcaro foi determinada por Mendonça após análise de mensagens encontradas em um dos celulares que indicariam ameaças, tentativas de corrupção e esforços para interferir em decisões regulatórias. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens ligados ao caso, como forma de ressarcir possíveis prejuízos ao sistema financeiro.

O banqueiro permanece detido na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima localizada ao lado do Complexo da Papuda. Sua cela tem cerca de 6 m², com cama de concreto e sem televisão. Enquanto isso, as mensagens já extraídas de um dos celulares mencionam autoridades e políticos de alto escalão. Entre os citados estão o senador Ciro Nogueira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, além dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta.

Conversas com a namorada

O material também inclui conversas de Vorcaro com a namorada, a modelo Martha Graeff, nas quais ele relata compromissos, reuniões e contatos com autoridades. As mensagens abrangem o período entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025 e foram obtidas após autorização judicial para quebra de sigilo telemático. Segundo os investigadores, parte dos dados foi encaminhada à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que apura possíveis fraudes em contratos de crédito consignado ligados ao Banco Master.

O que torna essa história particularmente reveladora é que os nomes que aparecem nas mensagens do banqueiro formam um mapa da política brasileira em seus diferentes espectros. Não é apenas um caso de fraude financeira. É um retrato de como as engrenagens do poder funcionam quando alguém como Vorcaro tenta movê-las. Os próximos meses dirão se esses celulares contêm informações que realmente mudam o jogo ou se são apenas mais um capítulo de escândalos que o Brasil já aprendeu a naturalizar.

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