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Governo Lula fecha parceria com os EUA para combater tráfico de armas e drogas

Data: 10 de abril de 2026

O Brasil e os Estados Unidos selaram nesta sexta-feira (10) um acordo de cooperação para combater o tráfico de drogas e armas entre os dois países. A iniciativa, batizada de MIT (Time de Interdição Mútua), foi anunciada pelo ministro da Fazenda Dario Durigan e nasceu das conversas entre Lula e Donald Trump, segundo o Ministério da Fazenda.

O funcionamento é direto: americanos compartilham com o Brasil imagens de raio-x e relatórios de inteligência sobre containers com destino ao país, enquanto brasileiros enviam aos EUA dados sobre apreensões de armas e drogas de origem americana. Parece simples, mas há camadas de complexidade que o comunicado oficial não explicita.

A história começa em dezembro, quando Lula ligou para Trump defendendo cooperação no combate ao crime organizado internacional. Na ocasião, o presidente brasileiro destacou operações federais para “asfixiar financeiramente o crime organizado”, conforme registrou o Itamaraty.

Lula propôs um plano com quatro pilares: cooperação contra lavagem de dinheiro, bloqueio de ativos nos EUA, colaboração alfandegária e intensificação do intercâmbio sobre criptoativos.

Aqui entra a ironia. Os americanos, em troca, pediram coisas bem mais robustas. Segundo um alto funcionário americano, Washington solicitou que o Brasil recebesse estrangeiros capturados em solo americano (como faz El Salvador na polêmica prisão Cecot) e apresentasse um plano para eliminar o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e organizações criminosas chinesas no Brasil.

O contexto é ainda mais tenso. Em março, o New York Times revelou que os EUA avaliavam classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo brasileiro se opõe à medida, que poderia abrir brecha para intervenções estrangeiras em solo nacional. Quando perguntado sobre o tema, Durigan afirmou que os americanos não trouxeram isso para as conversas e que soube pela imprensa. Tradução: o assunto está na mesa, mas ninguém quer falar abertamente sobre ele.

Tudo isso acontece enquanto os EUA promovem uma escalada militar sem precedentes no Caribe, com explosão de barcos e mobilização de armada sob o pretexto de combater narcotráfico. Essa mesma operação culminou no sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.

O encontro entre Trump e Lula em Washington, previsto para março, foi adiado. Quando acontecer, as negociações estarão ainda mais carregadas de expectativas e pressões.

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